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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 43

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu nunca havia dançado assim antes.

Nem em um baile de debutante, nem durante a aula de etiqueta, nem mesmo na privacidade da minha própria cozinha.

Lucian se movia com uma graça natural e mantinha sua mão firme, porém não controladora, na minha cintura, me guiando com uma confiança que me fazia sentir que eu poderia fazer qualquer coisa, contanto que eu me permitisse e seguisse o caminho que ele indicava.

Eu nem estava mais prestando atenção nos meus pés, apenas no calor nos olhos dele e no conforto do seu sorriso.

A música fluía através de mim e, pela primeira vez, eu não pensava nem me preocupava com quem estava me olhando ou se eu estava dançando bem.

Eu simplesmente... me movia.

Quando a música terminou, o salão novamente explodiu em aplausos, embora dessa vez não fosse ensurdecedor como ao final do meu discurso. Foi mais suave, mais apreciativo, e um onda de admiração que nos envolveu como a neve caindo.

Lucian se inclinou e o hálito dele roçou na concha do meu ouvido. "Você nasceu pra isso."

Eu dei uma risada ofegante, ruborizada por mais do que apenas a dança. "Foi você quem conduziu. Eu só segui."

Ele se afastou ligeiramente, levantando as sobrancelhas. "Não, Sera. Você me acompanhou em cada passo. Você não apenas me seguiu, você dançou."

A sinceridade na voz dele despertou algo quente no meu peito, mas não consegui sustentar o olhar dele. Não quando suas palavras trouxeram à tona uma memória que eu havia enterrado há muito tempo.

Anos atrás, em outro salão de baile e com uma música diferente. Meus pés estavam em sapatilhas delicadas e o meu corpo tremia enquanto eu tentava encontrar o ritmo.

O maxilar do Ethan estava cerrado em frustração enquanto eu tropeçava novamente.

"Você tá errando de novo." A voz dele era cheia de raiva e tensão. "Tenta me acompanhar."

Ele se afastou, apertando o nariz e murmurando algo sobre a Celeste nunca precisar de tantas aulas assim. Sempre foi assim, não havia uma única coisa que eu fazia que não era comparada com a minha irmã mais nova. Ele desistiu de mim com um suspiro frustrado, resmungando sobre como eu era péssima dançarina e que me faltava potencial.

Naquela noite, ensaiei até tarde, até muito depois que todo mundo já ter ido embora e após ter recebido olhares de desprezo e comentários sarcásticos.

Treinei na frente do espelho até as minhas pernas doerem e os meus dedos criarem bolhas. Sozinha naquele salão de baile, ensaiei todas as noites até melhorar.

Mas, quando atingi meu objetivo, já não importava mais. Ninguém nunca me convidava para dançar de novo em festas e bailes, a não ser que a Celeste tivesse sido convidada antes.

E, mesmo assim, eu era sempre a última opção e meu par estava sempre mal-humorado por ficar com a supostamente pior parceira de dança e nunca apreciava o quanto eu tinha me esforçado.

"Sera?" Pisquei, voltando para o presente. Para o Lucian. Para o brilho de preocupação nos seus olhos. "Onde você estava?"

"Em lugar nenhum." Forcei um sorriso, empurrando a lembrança para longe da mente e guardando-a junto com as outras que eu já tinha enterrado.

Ele parecia pronto para insistir no assunto, mas um homem alto em um terno cinza elegante e cabelo ruivo se aproximou com a mão já estendida. "Alfa Reed. Que bom vê-lo esta noite." Ele me deu um aceno cortês. "Senhorita Seraphina, que discurso cativante."

Minhas bochechas esquentaram. "Obrigada."

Ele se virou de volta para o Lucian. "Eu queria saber se poderíamos conversar sobre o desenvolvimento da Cidade Crescente?"

"Ah," Lucian lançou um olhar de hesitação para mim.

Balancei a cabeça, dando-lhe um sorriso tranquilizador. "Tudo bem. Vá em frente."

Eu sempre fui excluída de qualquer conversa administrativa na minha Alcateia e esses assuntos delicados sempre me fazia sentir como se estivesse usando a pele de outra pessoa.

Lucian me lançou um olhar de 'Desculpe, já volto' antes de se virar para apertar a mão do homem. Quando ele se afastou, repentinamente me senti abandonada. Casais estavam indo para a pista de dança ao som de uma nova música e parecia que a minha missão ali tinha acabado.

Então, fui saindo de fininho.

Enquanto me movia pelo salão, minha cabeça girava, procurando pela Maya. Aparentemente, ela ainda não tinha chegado, o que começava a me deixar preocupada.

Fiquei surpresa quando as pessoas me pararam para elogiar o meu vestido e o meu discurso. Era tudo avassalador e, apesar de estar tão visível quanto eu temia, talvez até mais, não foi tão ruim quanto imaginei.

Na verdade, foi estranhamente... gratificante.

Passei pelos corredores com detalhes dourados e orquídeas brancas floridas e atravessei uma porta para finalmente sair do salão de baile, soltando um suspiro de alívio.

O ar da noite me envolveu como um abraço fresco.

A lua pairava baixa e luminosa sobre o jardim e tudo tinha um leve cheiro de madressilva e cítrico.

O caminho de pedras serpenteava por entre sebes bem cuidadas e fontes de água. Enquanto caminhava por ele, parecia que eu estava no cenário de um sonho esculpido para momentos como este: privado, silencioso, surreal.

Sentei-me em um banco escondido ao lado de um riacho borbulhante e peguei meu celular.

Sem mensagens. Sem chamadas perdidas.

Toquei no contato da Maya e esperei. Chamou. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Caixa postal.

"Oi," comecei, segurando o celular junto ao ouvido, "só checando que o seu companheiro misterioso não surtou e te devorou." Dei uma risada. "Ah, quem eu quero enganar? É mais provável que você tenha devorado ele. Enfim, você perdeu meu discurso, e foi muito incrível. Acho que você teria gostado. Você ainda vem?"

Suspirei quando não houve resposta... porque, claro, era uma mensagem de voz. "Me liga quando ouvir isso, tá?"

Capítulo 43 1

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