Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 524

PONTO DE VISTA DE EVELYN

Normalmente, quando alguém quer tomar ar, vai para fora, não para baixo.

Eu não sou assim.

Quando cheguei aos níveis inferiores da sede da Alcateia Nightfang — uma mansão, na verdade —, minhas emoções instáveis e emaranhadas já tinham se aquietado.

Agora estavam comprimidas, como uma pressão alojada sob as costelas, que se expandia toda vez que você tentava não pensar nela.

Os corredores do calabouço eram mais frios que a ala médica. As paredes de pedra engoliam os sons e devolviam apenas ecos, enquanto antigos feitiços de proteção zumbiam sob o piso como insetos distantes presos sob o gelo.

Dois guardas posicionados do lado de fora da última sala se endireitaram quando me aproximei e me cumprimentaram com um aceno de reconhecimento.

Nenhum deles me impediu nem perguntou por que eu estava ali.

Assim como na ala médica, minha presença ali era algo frequente.

Pressionei a palma da mão contra a porta protegida por feitiços e senti as camadas de encantamentos — barreiras de contenção, feitiços sedativos, matrizes de supressão — reconhecerem minha magia antes de se desativarem uma a uma sob a ponta dos meus dedos.

As fechaduras se abriram com cliques, e entrei em uma sala que não se parecia em nada com uma cela de calabouço.

Equipamentos médicos ocupavam uma parede, ao lado de fileiras de poções e ingredientes cuidadosamente etiquetados.

Cristais de monitoramento encantados flutuavam sobre uma pequena bancada coberta de anotações escritas com a minha própria letra, cada vez mais ilegível.

Uma estação alquímica portátil ocupava o canto mais distante, enquanto marcas de contenção em prata cobriam quase todas as superfícies expostas.

A cama ficava no centro da sala.

E nela estava Jack.

Por um instante, apenas fiquei parada ali, olhando para ele. Não importava quantas vezes eu o visse daquele jeito, ainda parecia tão errado.

Jack sempre ocupou espaço de forma agressiva.

Ele vivia, ria, se movia — até odiava — em alto e bom som.

O homem deitado imóvel sob os cobertores parecia uma imitação envenenada dele, como se alguém tivesse pegado meu irmão e o reconstruído a partir de projetos corrompidos e memórias fraturadas.

Como Catherine tinha ido embora, Sera e Kieran foram gentis o bastante para alterar a condição que eu havia pedido e me deram a chance de salvar Jack, mas, mesmo depois de todo o trabalho que fiz, o estrago permanecia.

Veias escuras ainda se espalhavam como teias sob sua pele pálida, traços fracos de corrupção serpenteando por seu corpo como tinta derramada na água, recuando para mais fundo sempre que eu tentava alcançá-los com minha magia.

Mas eu me recusava a perder a última coisa remotamente parecida com uma família que eu tinha.

"Como você está nesta bela noite?" murmurei ao entrar na sala, e a porta deslizou, fechando-se atrás de mim.

Jack não respondeu.

Grosseiro.

Depois disso, passei a agir no automático, colocando os ingredientes sobre a mesa e verificando os monitores encantados perto da cama.

Os sinais vitais dele estavam estáveis. A atividade da corrupção girando dentro dele era mínima.

Melhor que ontem.

Não tão boa quanto dois dias atrás.

A recuperação, infelizmente, raramente era linear.

Eu odiava isso.

Ultimamente, eu odiava coisas demais.

O almofariz girava sob a minha mão.

No sentido horário. Três voltas.

Acrescentar raiz-prateada.

Duas gotas de tintura.

Esperar a mudança de cor. O líquido escureceu até chegar a um azul profundo.

Meus lábios se curvaram em um sorriso raro.

A magia obedecia a regras. A magia fazia sentido.

Levei a poção até a cabeceira de Jack e inclinei a cabeça dele para trás com cuidado, apenas o bastante para despejá-la entre seus lábios.

A garganta dele se moveu automaticamente, os reflexos fazendo todo o trabalho.

"Você está melhorando", eu disse baixinho. As palavras ecoaram contra as paredes de pedra.

"As vias de corrupção ao redor do seu sistema nervoso diminuíram quase doze por cento desde a semana passada."

Ajustei o cobertor sobre os ombros dele.

"Doze vírgula quatro por cento, na verdade."

Precisão importava.

"Eu sei que você não liga para todos esses números, mas está inconsciente, então seus padrões para uma conversa empolgante estão bem baixos no momento."

Nada.

Contive um suspiro. Eu daria qualquer coisa por um dos seus olhares irritados ou por uma de suas alfinetadas maldosas: ‘Sério, Evie, ninguém gosta de ouvir essa ladainha toda sobre números.’

Sentei-me ao lado dele e apoiei os cotovelos nos joelhos.

Talvez eu não devesse tê-lo colocado para dormir, mas não tinha tido escolha.

O primeiro reencontro tinha sido um desastre.

Depois da batalha, ele estava fraco, apavorado, confuso e ardendo de raiva. Quando me viu, explodiu, lançando acusações em meio a uma chuva de saliva.

Traídora. Inimiga. Falsa.

Ele gritou até vasos sanguíneos estourarem em seus olhos e lutou contra as amarras com tanta violência que rasgou a carne que mal tinha começado a cicatrizar.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei