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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 546

PONTO DE VISTA DE DANIEL

Por um segundo, eu realmente me perguntei se estava ouvindo coisas.

Ava tinha passado a semana inteira me tratando como se eu fosse parte da mobília, e agora estava ali, bochechas coradas, olhos brilhando como esmeraldas, sorrindo para mim como se eu fosse a resposta para todos os desejos que ela já tinha feito.

Antes que eu sequer começasse a processar aquela reviravolta emocional, Ava se endireitou de repente, o rosto assumindo uma máscara exageradamente séria.

“Certo, desculpa,” ela murmurou. “Foi mal.”

Então tentou fazer uma reverência que teria sido absurda até se ela estivesse sóbria, inclinando-se numa mesura exagerada e apontando a mão para mim com um floreio dramático.

“Olá, futuro Alfa.”

Ela chegou até a metade do gesto antes que o salto enganchasse de mau jeito sob ela, e toda a sua graça habitual desapareceu num instante.

Ela começou a cair para a frente, mas Matt avançou, segurando-a pela cintura e firmando-a contra ele.

‘Nada disso,’ Thatcher rosnou, e eu me movi antes mesmo de conseguir pensar.

Num instante eu estava ao pé da escada, no seguinte estava ao lado deles, minha mão se fechando ao redor do antebraço de Ava enquanto eu lançava um olhar furioso para Matt.

“Se afasta dela.”

Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, carregada de comando o suficiente para que todos parecessem se endireitar por instinto.

As sobrancelhas de Matt se ergueram. “Cara, ela estava caindo.”

“Eu seguro ela.”

“Eu só...”

“Eu disse,” falei entre os dentes cerrados, “que eu seguro ela.”

O Alfa em mim não era algo que eu convocava de propósito. Ele simplesmente estava ali, entrelaçado na minha voz e no modo como eu me portava, e aparentemente naquela noite tinha decidido se fazer notar.

Matt soltou Ava devagar, erguendo as duas mãos.

Passei o olhar pelo resto deles.

Bree tinha parado de rir. Yvonne, de repente, estava muito interessada no chão. Kevin e Bryce trocaram um olhar, depois encararam a porta como se estivessem considerando fugir de volta para a noite.

“Vocês todos têm sorte de terem voltado antes do toque de recolher oficial,” eu disse, com a voz baixa, mas ainda ecoando pelo saguão. “Mas, se não quiserem se explicar para a Luna Sera de manhã, é melhor subirem e sumirem da minha vista.”

Eles se dispersaram como pássaros assustados, e eu talvez tivesse rido se isso não fosse minar a autoridade que eu tinha acabado de demonstrar.

Matt hesitou, lançando a Ava um olhar questionador, depois olhou para mim. Claramente, seus instintos de sobrevivência pesaram mais do que qualquer argumento que ele pudesse ter, e ele se virou e seguiu os outros escada acima.

Em segundos, o saguão ficou vazio, deixando apenas Ava e eu no silêncio ecoante.

Ela soltou um suspiro longo e teatral, como se eu fosse pessoalmente responsável por todas as desgraças que já tinham acontecido com ela.

“Aff, eu tinha esquecido como você podia ser careta.”

Eu pisquei. Deuses, fazia tanto tempo que ela não me chamava assim.

“Sério? É só isso que você tem a dizer?”

Ela bufou. “Eu não tenho nada a dizer para” ela ergueu a mão e fez um círculo vago no ar com o dedo “um careta.”

"Isso é um círculo", falei, impassível.

Ela apertou os olhos para a própria mão e depois deu de ombros. "Tanto faz."

Ela começou a subir a escada.

Eu a segui no automático. "Ava, espera. A gente devia—"

Ela conseguiu subir três degraus antes de cambalear, e, quando estendi a mão para firmá-la, ela me afastou com um gesto irritado e indignado.

"Eu sei andar."

"Não parece."

"Eu sei."

Ela deu mais um passo determinado, só que o salto prendeu na beirada do degrau. Eu a segurei bem a tempo, firmando a mão em volta do braço dela.

Ela me agradeceu com um olhar fulminante. "Eu falei que sei andar."

"Você está bêbada."

"E daí? Bêbados andam."

Eu a encarei, procurando qualquer sinal de piada, mas ela só ergueu o queixo, com a expressão da mais pura seriedade.

Revirei os olhos, passei um braço por baixo dos joelhos dela, o outro pelas costas, e a peguei no colo.

Ela arquejou. "Daniel!"

"Shh."

"Me coloca no chão!"

"Não."

"Eu sei andar."

"Sim, bebum. Você já deixou isso claro."

"Daniel, estou falando sério."

Continuei subindo.

Ela se remexeu nos meus braços, mas tudo o que conseguiu foi me fazer segurá-la com mais força.

"Se você não me colocar no chão, eu vou gritar."

Soltei um riso pelo nariz. "É, faz isso. Acorda a casa da Alcateia inteira. Tenho certeza de que a mamãe ia adorar te ver assim."

Ela se calou na hora, e eu segurei um sorriso.

Minha mãe era uma das poucas pessoas em quem Ava mais confiava e que mais respeitava, e eu sabia que a ideia de decepcioná-la deixaria Ava sóbria mais rápido do que qualquer outra coisa.

Pelo visto, funcionou.

Ela se acomodou contra mim com um suspiro contrariado, a cabeça repousando a contragosto no meu ombro.

Eu a carreguei pelo corredor na direção do quarto dela, de repente muito consciente de quão perto estávamos.

Capítulo 546 1

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