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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 90

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

A luz da lua iluminava intensamente o quarto através da janela, banhando o ambiente com um brilho prateado.

Tentei meditar, como a Ilsa havia me ensinado, focando na respiração e no silêncio, com a esperança de que isso me acalmasse após os altos e baixos dos últimos dias, mas a lua cheia estava estranhamente impiedosa esta noite.

Ela me puxava por dentro, deixando todos os meus nervos à flor da pele. O zumbido constante da ausência da minha loba tinha sido substituído por algo cru e visceral, como se a minha alma lembrasse do laço mesmo que o meu corpo não conseguisse. E, por baixo disso tudo, havia um... puxão. Para onde, eu não sabia dizer.

Quanto mais eu meditava, mais forte eu sentia o tal puxão, até que não consegui mais ficar parada. Eu me espreguicei ao me desvencilhar das almofadas no chão, tentando afastar a energia inquieta que se enrolava sob a minha pele.

Normalmente, a meditação me tranquilizava e me deixava em paz. Esta sessão, entretanto, me fez querer pular da varanda e uivar para a lua. É isso que os lobos normais sentem durante a lua cheia?

Balancei a cabeça, alcançando o copo de água na mesinha lateral da cama, e lamentei ao ver que estava vazio. "Samantha, você acha que poderia..."

Parei quando virei e vi que a cuidadora Ômega que o Kieran havia designado para mim estava caída na poltrona perto da porta, com a cabeça inclinada para o lado, respirando suavemente e de forma ritmada.

Fiz uma careta, sentindo uma pontada de culpa. Ela deve ter ficado em pé o dia todo, zelando por mim com mãos gentis sempre ao meu lado e me servido refeições e remédios.

A culpa me impediu de acordá-la. Ela merecia descansar e, afinal, eu poderia pegar a minha própria água.

Então, vesti um roupão e me movi sozinha, com os pés descalços roçando os ladrilhos frios enquanto eu deslizava pelo corredor em direção à cozinha, tomando cuidado para não colocar muito peso no tornozelo.

O ar da noite estava impregnado de sal e hibisco e o meu corpo parecia ao mesmo tempo leve demais e pesado demais.

Abri a porta da cozinha silenciosamente.

E o encontrei lá.

Kieran estava no balcão com um copo na mão e os ombros largos delineados nas sombras. Ele se virou ao me ouvir entrar, seus olhos negros como obsidianas capturando a luz da lua de forma incrivelmente brilhantes.

Por um momento, pensei que a própria lua havia escorregado para dentro da cozinha e tomado forma humana.

"O que você tá fazendo aqui?" Sua voz era baixa, quase áspera. Então, o olhar dele passou por mim em direção ao corredor. "Cadê a sua Ômega?"

Engoli em seco contra o nó que se formou na minha garganta. "Dormindo. Não quis acordá-la."

Ele colocou o copo na bancada com mais força do que era necessário. "Ela tem que cuidar de você. Você não deveria estar de pé."

Revirei os olhos. "Ah, qual é, o médico disse que eu tô bem e quase não tô sentindo dor agora."

A mandíbula dele se contraiu. "Quando dou ordens, espero que sejam seguidas."

Ele se afastou do balcão e eu levantei a mão antes que ele pudesse sair furioso e dar uma bronca na pobre Samantha.

"Não." A palavra saiu mais suave do que eu pretendia, mas o parou. "Ela trabalhou duro o dia todo. Eu tô bem. Posso ir até a cozinha pegar água sem problemas."

Os olhos dele se estreitaram e ele parecia querer argumentar mas, quando não desviei o olhar, ele exalou suavemente e o seu corpo relaxou.

O silêncio preencheu a cozinha, denso com o zumbido da geladeira e o eco constante do oceano lá fora.

Uma lembrança surgiu na minha mente, envolvendo outra cozinha, outra casa, outra noite iluminada pela lua, só o Kieran e eu.

'Quero o divórcio.'

Eu empurrei essa lembrança cada vez mais fundo na minha mente.

Kieran se encostou no balcão e eu tentei ignorar o seu olhar ardente enquanto enchia meu copo e me virava para sair.

Mas mal tinha dado dois passos quando o meu pé enroscou na borda do ladrilho.

O quarto girou e o meu fôlego ficou preso na garganta...

De repente, eu estava nos braços do Kieran.

Seu braço envolveu minha cintura, puxando-me firmemente contra a força inflexível de seu peito.

O mundo girou, depois se estabilizou, e tudo que eu podia ouvir era o rápido staccato do meu pulso e o ritmo lento, porém irregular, da respiração dele.

As palmas das minhas mãos estavam pressionadas contra ele e o calor do corpo do Kieran penetrava diretamente no meu.

"Cuidado," ele murmurou. Sua voz era um sussurro baixo e quente contra a minha têmpora.

Eu deveria ter me afastado, deveria ter empurrado ele, mas...

Aquela maldita atração entre nós, que eu tentei tão arduamente enterrar com determinação e força de vontade, ressurgiu como um fio elétrico, correndo do aperto dele na minha cintura para cada nervo do meu corpo.

Eu inclinei a cabeça para trás, para encontrar os olhos dele, e o olhar que vi me desmoronou.

Havia desejo, desesperado e instintivo, que refletia exatamente o que eu estava tentando reprimir.

"Kieran..." Minha voz falhou, não mais que um sussurro, meio alerta, meio súplica.

O calor se acumulava na parte inferior do meu estômago e o meu corpo doía com um desejo que eu não sentia desde...

Nunca. Eu nunca sentira um desejo tão avassalador assim.

O desejo corria por mim, ameaçando me consumir a cada toque dos lábios dele, a cada movimento do quadril dele contra o meu. Ele esfregava aquele pau enorme contra a minha buceta molhada através da barreira fina do tecido, fazendo a minha visão ficar borrada.

Eu gemi, sem vergonha, enquanto o meu quadril se movia para encontrar as investidas dele.

Minhas costas se arquearam e um gemido gutural escapou de mim quando ele rasgou a minha camisola e prendeu os lábios em um dos meus mamilos intumescidos.

Senti lágrimas no canto dos olhos enquanto enroscava as mãos nos cabelos dele, puxando com força enquanto sua língua deslizava contra os meus mamilos.

"Kieran!" arquejei, sentindo o desejo crescer de forma inimaginável.

Ele soltou um gemido que mal consegui ouvir enquanto sua outra mão deslizava até o elástico da minha calcinha.

Meu quadril se moveu instintivamente, buscando o calor do toque dele. Quando ele enfiou a mão na minha calcinha e pressionou a palma contra o ápice entre as minhas coxas, achei que iria desmaiar com a explosão repentina de sensações.

Minha respiração tornou-se áspera e ofegante quando a boca do Kieran encontrou meu outro seio, ao mesmo tempo que ele empurrava de lado a parte da frente da minha calcinha úmida e pressionava um dedo contra o meu clitóris inchado.

"Caramba!"

Achei que o suspiro sofrido tinha vindo de mim, mas então o Kieran levantou a cabeça e eu vi a fome nos seus olhos escuros e nos seus lábios inchados entreabertos, como se estivesse surpreso.

"Você tá tão molhada," ele disse, com a voz carregada de admiração.

Eu conseguia entender por que ele estava tão surpreso. O Kieran e eu já tínhamos transado antes, mas nunca assim, nunca com tanto calor, tanta urgência e tanto desejo.

Nunca assim.

Eu levantei o quadril, buscando desesperadamente o seu toque. "Por favor," eu ofeguei.

Algo brilhou nos olhos dele e, então, sua boca estava na minha novamente, devorando-a. Cada beijo era mais urgente, mais avassalador que o anterior.

Agarrei os ombros dele, meus dedos se afundando nas linhas rígidas dos músculos, como se eu me ancorasse contra uma maré que eu não poderia enfrentar.

Ele engoliu o meu suspiro desesperado com a sua boca, gemendo como um homem à beira do colapso enquanto pressionava seu polegar contra o meu clitóris, depois o indicador, pressionando cautelosamente contra o meu...

"Senhora Sera?"

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