A voz vinha da esquerda. Alice parou e virou-se para o quarto daquele lado.
A porta não estava completamente fechada. Pela fresta larga, Alice conseguiu enxergar claramente o que acontecia lá dentro.
Sabrina Saraiva estava recostada na cama de hospital, enquanto o pequeno corpo de Júlio debruçava-se sobre o colchão, com suas duas mãozinhas agarradas com firmeza às mãos dela.
Jorge Cavalcanti estava sentado numa cadeira não muito longe dali. Ele tinha um sorriso no rosto e o olhar suave.
Qualquer um que não os conhecesse acharia que eram uma família perfeitamente amorosa.
— Eu estou bem, não precisa se preocupar. Fico até com o coração partido por ter deixado o meu adorável Júlio aflito assim. — Sabrina olhava para ele com carinho, permitindo que o garoto balançasse seus braços, respondendo com uma voz dócil.
Ao terminar de falar, Sabrina deu um beijo carinhoso na testa de Júlio.
Júlio não esboçou a menor resistência. Ao contrário, ficou corado, parecendo extremamente fofo e adorável. No entanto, as palavras que saíram da boca dele congelaram o coração de Alice.
— A culpa é da mamãe. Ela não entende nada e só fica atrapalhando as coisas. Foi por causa dela que a tia Sabrina foi parar no hospital. Eu a odeio. A menos que ela venha pedir desculpas para você, eu não vou mais falar com ela. Nunca vou perdoá-la!
Sabrina arregalou os olhos, parecendo não esperar aquelas palavras. Com os olhos vermelhos, mesclava uma expressão de injustiçada e gratificada.
— Júlio Cavalcanti, não se meta nos assuntos de adultos. — Jorge abriu a boca naquele instante, com um tom meio sério.
— Eu não estou me metendo! É que a mamãe é muito chata! — Júlio franziu os lábios em insatisfação.
— Sr. Cavalcanti, não seja tão agressivo com ele, o Júlio ainda é pequeno. Ele não entende essas coisas. Crianças precisam ser educadas com paciência e método pelos pais. — Vendo aquilo, Sabrina rapidamente apertou o menino contra o peito.
— Aquela Alice nem mesmo o filho consegue educar. Para que ela serve?! — Ouvindo as palavras de Sabrina e olhando para o filho aninhado nos braços dela, chorando sem parar, Jorge começou a ficar irritado.
Do lado de fora, mesmo que Alice já tivesse resolvido tudo em seu coração, ele ainda latejou dolorosamente naquele instante.
— Sr. Cavalcanti, não fale assim da esposa do professor. A energia, o conhecimento e a percepção de cada um são limitados. Ela certamente já fez o que estava ao alcance. Só que... — Sabrina pretendia continuar, mas ao levantar o olhar, avistou Alice parada do lado de fora.
Seu semblante travou imediatamente: — S-Sra. Cavalcanti...

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