Dr. Lima silenciou. Ele naturalmente sabia que o Sr. Alberto não nutria preconceitos contra donas de casa. Ele apenas lamentava, lamentava pela perda daqueles preciosos sete anos da vida de Alice.
Afinal, Alice Almeida era sua pupila mais querida e seu maior orgulho. Caso contrário, ele não teria permitido que ela adotasse seu sobrenome após o infortúnio que sofreu sete anos atrás.
Almeida.
— Mestre... me desculpe... — A voz de Alice engasgou.
Naquele casamento, ela não chorou.
Sob as implacáveis humilhações e o desdém de Jorge Cavalcanti, ela não chorou.
Ao decidir se divorciar de Jorge, ela também não chorou.
Mas agora, ela chorou.
Porque percebeu que havia errado, e errado de maneira absurda.
Contudo, não ousava chorar alto demais. Sentia que não tinha o direito de derramar lágrimas na frente de seu estimado mestre.
— Mestre, o senhor não pode culpar a Alice por tudo, essa menina carrega um trauma. Sete anos atrás... Ah... deixe para lá, o fato é que ela já decidiu voltar para o instituto. — Vendo a aparência tão lamentável da sua estimada colega, Dr. Lima suspirou profundamente. — Sua pupila favorita retornou, o senhor deveria estar feliz. Se continuar a assustá-la desse jeito e acabar espantando a garota, não vá se arrepender depois.
— Humpf, tenho tantos alunos, acha que me faz falta uma a menos? — O Sr. Alberto encarou Alice com irritação, mas, no fim das contas, não conseguiu dizer nada maldoso. — Você... já pensou bem?
— Sim! — Alice assentiu com firmeza, com o olhar repleto de certeza e alívio. — Eu já pensei, decidi me divorciar daquele homem. E então vou me reorganizar o mais rápido possível e voltar para o instituto.
Ao ouvir aquelas palavras de Alice, a raiva no rosto do Sr. Alberto desvaneceu aos poucos.
Quando soube, no passado, que Alice havia decidido firmemente deixar o instituto, o Sr. Alberto ficou furioso.
Mais tarde, ao descobrir que ela estava grávida fora do casamento, e que havia se casado às pressas e tido um filho, ficou tão exasperado que decidiu romper laços com ela em definitivo.
Foi exatamente por essa razão que o Sr. Alberto jamais se deu ao trabalho de perguntar com quem, afinal, Alice havia se casado.
Observando as olheiras profundas sob os olhos de sua querida pupila e a exaustão óbvia deixada pelas marcas do casamento, ele decidiu não perguntar quem era o homem, nem os motivos do divórcio.
— Entre nós não há necessidade de agradecimentos. — Dr. Lima acompanhou Alice com o olhar até ela entrar no elevador antes de retornar ao quarto do Sr. Alberto.
Era quase meio-dia e o sol brilhava com força lá fora.
Alice sentiu-se um pouco fraca, decidindo evitar o ambiente externo e caminhando pela passarela fechada.
A outra extremidade da passarela conectava-se ao setor de internação do Hospital Central de Alvorada.
Bastava atravessar o corredor de quartos do primeiro andar para chegar à entrada da internação e pegar um táxi diretamente de lá.
Quando estava prestes a passar, um som vindo de um dos quartos ao lado fez seus passos pararem.
— Tia Sabrina, como você está? Eu fiquei tão preocupado com você.
Era a voz de seu filho de seis anos, Júlio Cavalcanti.

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