Justo no momento em que Jorge Cavalcanti pegou outro copo de bebida e se preparava para virar na boca, Jonas Farias finalmente percebeu que algo estava errado e estendeu a mão para detê-lo.
— Jorge, você já bebeu o suficiente por hoje, não beba mais.
Até mesmo o parceiro de negócios que promovia o banquete já havia notado o comportamento estranho de Jorge Cavalcanti.
— É verdade, Diretor Cavalcanti. Hoje viemos apenas para bebericarmos e relaxarmos, não há necessidade de beber desse jeito.
Jorge Cavalcanti acenou com a mão, sinalizando para as pessoas à mesa que estava bem.
Ele realmente não estava passando mal, mas seu peito sofria com uma sensação constante de aperto. Sentia algo preso no peito, que não conseguia sair nem descer.
Ele mesmo acharia difícil descrever o que era aquela sensação.
Era um sentimento que ele jamais havia experimentado em seus trinta e três anos de vida.
Naquele instante, percebeu subitamente que o álcool, além de lhe causar tontura, não parecia entorpecer ou aliviar o que estava sentindo.
Ao notar que Jonas Farias e as outras pessoas na sala o observavam fixamente, Jorge Cavalcanti respirou fundo.
Colocou o copo sobre a mesa e, balançando um pouco o corpo, levantou-se. — Vou lá fora tomar um ar.
Dito isso, caminhou em direção à porta da sala privativa.
— Jorge. — murmurou Jonas Farias, intrigado e sem entender o que se passava com o amigo.
Era a primeira vez que ele via Jorge Cavalcanti daquele jeito. No passado, não importava quão difícil fosse a situação, Jorge sempre era o que mais conseguia manter a calma. Afogar as suas dores em bebida nunca tinha sido algo da sua personalidade.
No final, ainda inquieto, Jonas Farias o acompanhou.
Jorge Cavalcanti estava sozinho no pátio interno. Havia rochedos decorativos, um filete de água corrente, uma fumaça suave e azulada no ar; a paisagem possuía um encanto antigo e singular.
Mas, naquele momento, Jorge Cavalcanti não estava com a mínima vontade de apreciar o cenário deslumbrante. Ele estava em pé sob a galeria, e seu coração continuava vazio.
— Jorge, o que diabos aconteceu com você? — perguntou Jonas Farias, aproximando-se e parando ao lado dele.
Jorge Cavalcanti não respondeu à pergunta e se limitou a dizer. — Você tem cigarro?

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