— Sim, eu entendi, tio. Eu vou me esforçar muito.
Com um sorriso, Benedito afagou a mão de Natália.
— É isso aí. Sendo do sangue dos Santos, tenho toda a confiança em você. Se precisar de qualquer ajuda, basta me avisar.
Aquelas palavras serviam como uma verdadeira promessa. Com o apoio incondicional de Benedito Santos, qualquer empreitada de Natália seria duas vezes mais fácil.
— Hah. — Um escárnio ressoou abruptamente no ambiente caloroso do quarto.
Sebastião levantou-se. Seu metro e noventa, com ombros largos e cintura estreita, projetou uma sombra imensa pela sala.
— Está abafado aqui dentro, vou dar uma volta.
Aviso dado a Benedito. Sem sequer olhar para a garota, Sebastião deu meia-volta e encaminhou-se para a porta.
Vendo-o prestes a sair, Natália apressou-se a segui-lo.
— Irmão Sebastião, aonde você vai espairecer? Posso ir com você.
Ele parou em frente à porta e girou o corpo para encarar Natália de cima a baixo.
— Por que não? Coincidentemente estou sem paciência e sentindo uma vontade enorme de socar alguém.
A frase aterrorizou Natália, fazendo-a recuar um passo involuntariamente.
— Sebastião, Natália só queria ser simpática. — Benedito manifestou-se para defendê-la.
Com as sobrancelhas levemente contraídas e o olhar afilado exalando irritação, Sebastião disparou:
— Ela não veio ver você? Por que ela iria sair andando atrás de mim? Fiquem aí com as ceninhas de pai afetuoso e filha dedicada. Eu fui.
Logo após as duras palavras, Sebastião abriu a porta e partiu, ignorando Natália solenemente.
Natália ficou pregada ao chão. Estava pálida e apertava as duas mãos à frente do corpo, parecendo abalada e perdida.
Contudo, debaixo daquela aparência fragilizada, sua alma fervia numa tempestade de fúria cega.
Sebastião Santos!
Hazia muito tempo que Benedito não escutava o nome Alice. Pego de surpresa, ele ficou aturdido por instantes.
Segundos depois, ele franziu a testa, deixando transparecer total repugnância.
— Ela não é mais parte da nossa família, que motivo há para tocar no nome dela? Natália, ponha isto na sua cabeça: você é o verdadeiro sangue da família, a promessa mais brilhante dos Santos, entendeu?
— Sim! — Natália abriu um sorriso enxugando as lágrimas, mas também foi invadida por questionamentos.
Como era possível que o tio presasse tanto pelo sangue do clã a ponto de banir a impostora sem pestanejar ao descobrir a farsa e, ao mesmo tempo, mantivesse Sebastião debaixo das próprias asas por tantos anos?
Pensando nisso, ela perguntou instintivamente:
— Tio, por que o senhor adotou o irmão Sebastião no passado? O senhor chegou a conhecer os pais de sangue dele? No que eles trabalhavam? Onde ele andou metido nos anos em que sumiu de casa? Ele foi atrás da família de sangue?
Ela ansiava por descobrir aquelas respostas. Levando em consideração o status estrondoso dos Santos no país e a figura de homem mais rico da cidade de Benedito, por que ele adotaria Sebastião e daria a ele o sobrenome Santos se não houvesse uma razão muito obscura por trás?
Com toda certeza do mundo, a verdadeira identidade de Sebastião ocultava segredos muito sujos.

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