No momento em que Camila terminava de falar, os olhares das três mulheres focaram-se todos em Jorge Cavalcanti.
Naquele momento, para Jorge, os olhares das três mulheres eram como três paredes pesadas que caíam sobre as suas costas.
A pressão era tanta que a sua respiração tornou-se pesada.
Percebendo o conflito interno do filho, Yara disse: — Jorge, o que pretende fazer a respeito disso?
Vendo que a expressão dele enrijecia, ela assumiu um tom conciliador: — A Sabrina não é como a Alice, é uma garota honesta e pura. Se você cometeu um erro grave com ela, terá de assumir as responsabilidades. Somos de uma linhagem respeitável, uma família proeminente. Não podemos agir de forma vil e fugir às consequências. Isso arruinaria o nome dos Cavalcanti.
Ouvindo as famosas lições de moral de sempre, Camila abriu um leve sorriso de alívio.
Normalmente, discursos do gênero eram todos dirigidos a ela. Nunca imaginou que veria o tão sensato e responsável irmão mais velho ouvindo o mesmo.
Aproveitando o momento, jogou mais lenha na fogueira: — Pois é, irmão, quando quem errou foi a Alice, você foi homem de assumi-la. Agora, o erro foi seu, a vítima foi a Sabrina, é claro que você deve se responsabilizar ainda mais.
A mente de Jorge dava voltas. Ele sabia que as duas tinham razão. O erro era dele, ele a destratara e arruinara a inocência de Sabrina. O mínimo que ele devia fazer era arcar com as consequências.
Mas por algum motivo que nem ele mesmo compreendia, aquela frase não passava pela sua garganta.
Vendo as dúvidas e a clara resistência de Jorge, Sabrina começou a chorar ainda mais forte: — Não tem problema, eu sei que o Professor Jorge não fez por mal. Ele bebeu muito e devia estar fora de si. Eu sou uma mulher adulta, consigo entender a situação. Ele sempre me tratou com bondade, ele tem sido muito gentil comigo, e jamais pagaria o bem com o mal.

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