Os ombros de Jorge Cavalcanti ficaram tensos e o seu rosto escureceu.
— Fale, o que aconteceu? — Yara Inácio foi a primeira a quebrar o silêncio.
O que se seguiu, no entanto, foi apenas silêncio.
Sabrina enxugava as lágrimas, visivelmente machucada por dentro, mas sem pronunciar uma palavra sequer.
Olhando para os braços e o pescoço marcados da jovem e para as lágrimas no seu rosto, a consciência de Jorge doía.
— Eu perdi a cabeça por causa da bebida, a culpa foi toda minha.
Juntando o comentário de Dona Ester, os machucados pelo corpo, as roupas destruídas e o vermelho no lençol da cama... Ficava claro que fora ele quem tinha abusado de Sabrina.
Com a saída de Júlio, Camila Cavalcanti falou sem papas na língua: — Irmão, você não perdeu a cabeça, você agiu feito um animal. Olha o estado que você deixou a Sabrina, toda machucada.
Jorge, que costumava ser um homem de postura serena e equilibrada, ficou emudecido ao ouvir a bronca da irmã caçula.
— Camila Cavalcanti, feche essa matraca. Isso é jeito de uma dama de boa família falar? — ralhou Yara Inácio com um olhar fulminante.
Em seguida, os seus olhos varreram a postura dos dois: — O estrago já está feito. O que você pretende fazer agora?
Era uma pergunta direta ao filho.
Mas, pela primeira vez na vida, Jorge ficou quieto.
Pela primeira vez na vida, ele realmente não sabia o que fazer...
As mãos de Sabrina apertavam a calça em segredo, aumentando o aperto a cada segundo do silêncio de Jorge.
— O que mais ele vai fazer? Ele abusou dela, ele tem que assumir. — intrometeu-se Camila.

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