Um lampejo de desgosto perpassou pelo olhar de Jorge. Será que seus pais o consideravam um tipo de pessoa devassa?
— Onde está Sabrina?
Sabrina havia pedido dispensa do trabalho naquela tarde e já deveria estar em casa a essa hora.
Dona Ester apontou para o andar de cima.
— A Srta. Sabrina está no escritório, lá em cima.
— Hum. — Jorge assentiu, encaminhando-se para a escada.
— Hã, senhor... — Dona Ester deu dois passos à frente, chamando Jorge com hesitação.
Jorge estacou os passos.
— Aconteceu alguma coisa?
Ao encarar o rosto inexpressivo de Jorge, Dona Ester vacilou um pouco e, no fim, forçou um sorriso.
— Não é nada, só queria avisar que o jantar está quase pronto.
— Tudo bem, entendido. — Jorge fez um aceno com a cabeça e subiu para o segundo andar.
No andar de baixo, Dona Ester suspirou ao ver a silhueta de Jorge sumir na curva da escada.
Na verdade, ela queria ter perguntado sobre o próprio salário.
Pela lógica, o pagamento dela já deveria ter sido efetuado há muito tempo.
Antes, era Alice quem lhe pagava. Era sempre muito pontual todos os meses, nunca havia atrasos.
"Vou perguntar mais tarde, na hora do jantar", pensou Dona Ester, dando meia-volta e entrando na cozinha.
No segundo andar, Sabrina estava tão ocupada no escritório que sequer notou o momento em que Jorge entrou.
— O que está fazendo?
A voz do homem ressoou acima dela, dando-lhe um susto. Ela levou a mão ao peito e se levantou. Ao ver que era Jorge, um sorriso radiante desabrochou imediatamente em seu rosto.
— Sr. Jorge, você voltou! Eu estava tão concentrada que nem ouvi nenhum som.
Jorge observou o escritório, que estava completamente irreconhecível, e perguntou:

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