Diante do interrogatório severo de Dona Benedita Gomes, Gabriela abaixou a cabeça, agarrando nervosa suas roupas velhas e encardidas.
Vendo aquela situação, Alice Almeida correu para pegar na bolsa as roupas que tinha comprado para Gabriela, além de uma sacola com pães e biscoitos.
— Por favor, não me entenda mal, não tenho más intenções. Só comprei algumas roupas e comida para a Gabriela antes de vir, e queria entregar a ela. — Alice sabia que Dona Benedita rejeitava forasteiros, por isso não se aproximou muito.
Vendo que a expressão da idosa continuava hostil, Alice prosseguiu: — As roupas da Gabriela estão muito gastas. Afinal, ela é uma menina, não pode ficar andando maltrapilha. Na sacola há roupas novas para ela trocar. Vou deixar as coisas aqui e já vou embora, não vou incomodá-las.
Alice colocou a sacola de roupas novas e a comida no chão, a uma certa distância de Dona Benedita e Gabriela. Em seguida, recuou educadamente.
Dona Benedita encarou Alice por um longo tempo. Depois, deu um passo à frente, agarrou as roupas e a comida de uma vez só e abriu a porta rapidamente para entrar: — Gabriela, está parada aí fazendo o quê? Entra logo!
Gabriela ficou parada na porta, olhando para Alice, hesitando e demorando a entrar.
— Eu mandei você entrar! — Dona Benedita se inclinou para fora, puxou Gabriela para dentro de uma vez e bateu a porta com força.
Alice ficou parada do lado de fora observando por um momento. Sempre que via Gabriela, seu coração se apertava.
Esse sentimento fez com que ela caminhasse de volta para a Hospedaria Municipal com o astral bem baixo.
Andava cabisbaixa, imersa em seus pensamentos. Mal entrou na hospedaria, ela bateu de cara com um corpo enorme e rígido.
Alice soltou um gemido de dor e cobriu o nariz machucado. Deu um passo para trás, só então reconhecendo a pessoa.
Sebastião Santos estava no pátio da hospedaria, olhando-a com uma expressão de escárnio: — Alice Almeida, você é burra? Não olha por onde anda? Foi assim que eu te ensinei?

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