Alice chegou à porta do salão de banquetes. Era a primeira vez que via Sabrina Saraiva pessoalmente. Até então, tudo que sabia sobre aquela garota viera das palavras de Jorge.
Por exemplo, sabia que Sabrina era de uma família humilde, que havia passado por muitas dificuldades desde pequena e que era a moça com maior nível de escolaridade da sua cidade.-
Sabia que era inteligente, a aluna mais brilhante que Jorge já havia orientado.
Sabia que era ingênua, radiante e incrivelmente resiliente, como um girassol que se esforçava para absorver a luz do sol.
Naquele instante, ao observar Sabrina parada na porta aguardando sua entrada, Alice constatou que ela era, de fato, adorável e vibrante. Vestida num lindíssimo vestido de noiva imaculado, seu rosto ostentava a ansiedade e o pudor típicos de uma noiva.
— O que eu faço? Já está quase na hora de entrar, e estou tão nervosa. E se eu tropeçar e cair? Só costumo usar tênis, não estou acostumada com salto alto...
As organizadoras do casamento se posicionavam dos dois lados, oferecendo sorrisos encorajadores:
— Não fique nervosa. As madrinhas e a nossa equipe estão lá dentro, não vamos deixar você cair. Relaxe e seja a noiva mais linda!
Segurando levemente a saia do vestido com ambas as mãos, Sabrina deu um sorriso charmoso:
— Estou bonita?
— Linda! Hoje você é a mulher mais linda de todas! — responderam as organizadoras, rindo.
Isso foi exatamente o que Alice presenciou ao chegar no salão de banquetes.
Com um leve tremor no olhar, uma pontada amarga tomou seu coração.
Houve um tempo em que ela também aguardara ansiosamente pelo seu próprio casamento com Jorge Cavalcanti.
Naquela época, no entanto, Jorge lhe dissera com a expressão séria:
— Este ano é um período crucial para a minha avaliação como professor adjunto. A empresa e o laboratório estão apenas começando, então realmente não tenho tempo para realizar uma cerimônia.
Aos vinte e um anos, ela fora compreensiva com aquele Jorge de vinte e seis. Jamais imaginaria que, sete anos depois, aos vinte e oito, estaria participando do casamento do próprio marido com outra mulher.
A atenção de Sabrina foi atraída por Alice. Seu sorriso vacilou ligeiramente antes de se abrir ainda mais radiante:
— Seja bem-vinda ao meu casamento com o professor Jorge.
Naquele momento, Alice teve a vontade imensa de perguntar: "Você sabe que Jorge já é casado?"
Mas não teve tempo de verbalizar a pergunta.
Foi então que, de dentro do salão, a voz ressoante do mestre de cerimônias ecoou:
Que cena encantadora, que par impecável e perfeito formavam.
Do lugar onde estava, Alice conseguia escutar claramente os murmúrios comovidos e os suspiros de inveja das mulheres ao seu redor.
Mas seu olhar continuava fixo nas mãos entrelaçadas de Jorge e Sabrina.
Não conseguia sequer lembrar-se da última vez em que Jorge havia segurado sua mão.
Pensando bem, ele parecia nunca tê-la segurado pela mão em público. Da mesma forma, jamais a assumira perante os outros como sua esposa.
E, durante os últimos sete anos, ela sequer havia notado essa ausência.
Sempre acreditara que Jorge era um homem comedido, reservado, que não deixava transparecer as próprias emoções. Por isso, sempre procurara se adequar a esse Jorge.
Mas agora via que a realidade era outra.
Afinal de contas, Jorge também possuía momentos em que expressava seus sentimentos, também era dotado de uma face carinhosa e delicada.
Alice respirou fundo, contudo, a angústia dolorosa cravada em seu peito recusava-se a ir embora, por mais que tentasse expirá-la.

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