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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 4

No altar, a cerimônia seguia o seu curso, e havia chegado o momento dos discursos dos pais de ambas as partes.

O Sr. Saraiva e Dona Sônia subiram juntos ao altar e se posicionaram ao lado de Sabrina.-

Alice notou que o Sr. Saraiva segurava um microfone e um papel, deduzindo que ele seria o próximo a discursar.

No entanto, no segundo seguinte, as palavras do mestre de cerimônias fizeram o coração dela se encolher de repente.

— Agora, convidamos a mãe do noivo, Sra. Yara Inácio, e seu filho, o pequeno Júlio Cavalcanti, a subirem ao palco!

A respiração de Alice travou de imediato. Ela encarava, atônita, a mulher e a criança caminhando juntas em direção ao altar, de mãos dadas.

Não eram quaisquer pessoas, mas sim a sua sogra, Yara Inácio, e seu filho de seis anos, Júlio Cavalcanti.

— Jú... Júlio... por quê? — Alice murmurou, completamente desnorteada.

Júlio passava quase todos os finais de semana na casa da família. Ela própria o levara até lá no dia anterior. Na ocasião, a sogra afirmara que levaria a criança para um encontro com velhos colegas de escola naquele dia.

Então como podiam os dois estar ali?

Yara Inácio mantinha um sorriso caloroso, e o seu olhar sobre Sabrina transbordava ternura.

Alice só vira um sorriso e um olhar como aquele no rosto de Yara uma única vez: no dia em que dera à luz.

Naquele dia, com os olhos rasos d’água e em tom de desculpa, ela dissera: "Alice, me perdoe, você sofreu muito."

Mas tinha sido só aquela vez. Depois disso, Yara Inácio voltara a ser a sogra arrogante, fria e distante de sempre.

Júlio, posicionado entre a avó e o pai, não parecia nem um pouco tímido perante a multidão, pelo contrário: olhava para Sabrina com um sorriso alegre.

Aquele sorriso no rosto do filho atingiu Alice em cheio.

Aquela dor surda gerou um zumbido tão alto nos ouvidos que ela sequer escutou a sequência de discursos dos pais.

Ela só recobrou a atenção quando o apresentador passou o microfone às pequenas mãos de Júlio Cavalcanti:

— Pequeno mestre, você gostaria de dizer algumas palavras?

Agindo como um adulto precoce, Júlio pegou o microfone com calma, erguendo o rosto para observar o pai e a noiva ao lado dele.

Uma expressão carinhosa e meiga adornava o rosto de Jorge enquanto ele acariciava a cabeça do filho.

Sob os olhares atentos de todos os presentes, a voz infantil e doce do pequeno Júlio ecoou pelo microfone:

— Estou muito feliz! A tia Sabrina vai ser a minha nova mãe a partir de hoje! Eu gosto da tia Sabrina e adoro que ela seja minha mãe!

Ao fim das palavras do garoto, a plateia irrompeu em intensos aplausos.

O mestre de cerimônias também congelou, sem entender por que Jorge o encarava daquela forma, no lugar de beijar a noiva. Ele tinha certeza de que a cerimônia estava correndo perfeitamente e que seguia o roteiro acordado previamente com a noiva e a agência.

Os aplausos efusivos e as risadas cessaram de repente diante da hesitação de Jorge.

Os convidados também passaram a encará-lo com confusão.

O casamento mergulhou em uma breve aura de constrangimento...

Com os olhos marejados, semelhante a uma corça assustada, Sabrina ergueu a cabeça para olhar Jorge. Ela puxou-o pela manga sutilmente e murmurou com uma voz que só ele poderia escutar:

— Professor, todos estão olhando...

Jorge desviou o olhar e voltou-se para os pais de Sabrina e o mar de convidados espalhados pelo salão.

Imaginando que o noivo estivesse simplesmente acanhado com um beijo em público, o mestre de cerimônias teve uma ideia:

— Parece que o noivo está com vergonha. Vamos todos encorajá-lo! Um beijo! Um beijo!

Movidos pelo apresentador, os convidados acompanharam em uníssono.

Logo, o salão inteiro passou a vibrar em um coro ressoante: "Um beijo! Um beijo!"

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