Sob a luz da tela do celular, o olhar de Sabrina escureceu e ela contraiu os lábios.
Ao erguer a cabeça novamente, já havia retomado a expressão de pessoa compreensiva e meiga.
— Professor Jorge, já é tarde. Como você chegou, fico mais tranquila em relação ao Júlio. Eu... — Ela soltou o menino, que ainda estava agarrado a ela. — Já vou indo.
Jorge levantou o pulso e olhou para o relógio, franzindo de leve a testa.
— Você vai voltar para o hospital ou para onde mora?
Sabrina forçou um sorriso, que carregava um toque de amargura.
— O hospital já passou do horário de visitas, não posso voltar. E a casa que alugo... Não tem problema, posso procurar um hotelzinho para passar a noite.
— Nem pensar. — Jorge negou imediatamente, com os olhos cheios de culpa. — Você veio de tão longe só por causa do Júlio. Faremos assim: não vá embora esta noite, durma aqui. Amanhã de manhã eu te levo de volta.
— Ah... — Sabrina hesitou, sem saber o que fazer.
— É, Srta. Sabrina, fique conosco. Esta casa é tão grande, não fará diferença ter mais uma pessoa. — Dona Ester, percebendo o constrangimento de Sabrina, insistiu para ela ficar.
Júlio ficou eufórico ao ouvir que Sabrina passaria a noite e não soltou a mão dela por nada.
— Tia Sabrina, fique! Você pode dormir comigo, o meu quarto é muito grande! Fique, por favor!
— Então... está bem. — Parecendo não conseguir resistir aos apelos de Júlio, Sabrina sorriu e concordou.
Vendo que ela tinha aceitado, Dona Ester também sorriu.
— O menino gosta mesmo muito de você, Srta. Sabrina.
Sabrina pegou Júlio no colo.
— Eu também gosto muito dele.
Júlio se aconchegou feliz nos braços de Sabrina, pensando que era ótimo a mãe não estar em casa às vezes, porque assim a Tia Sabrina podia dormir com eles.
Naquela noite, Júlio demorou muito a pegar no sono. Antes de dormir, insistiu para Sabrina brincar com ele por um tempão.
Só na hora de dormir, quando a mãe, que toda noite lhe contava uma história, foi substituída pela Tia Sabrina — que não levava muito jeito para contar histórias —, ele sentiu a diferença.
Isso fez com que ele começasse a sentir um pouco de falta de Alice.
Mas não havia problema, a mãe sempre preparava o café da manhã para ele e para o pai todas as manhãs.
— Senhor, não dormiu bem esta noite também?
O que estava acontecendo?
Pai e filho pareciam não ter dormido bem...
Jorge respondeu sem expressão:
— É, fiquei até tarde lendo uns artigos.
Assim que terminaram de descer as escadas, ouviram barulhos vindos da cozinha.
Os olhos do sonolento Júlio se iluminaram no mesmo instante.
— Com certeza a mamãe voltou!
Com esse pensamento, soltou a mão de Dona Ester e correu em direção à cozinha.
Jorge continuou sem expressão e também não tentou impedir a correria impetuosa do filho.

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