Júlio correu apressado para a cozinha e logo deparou-se com a visão de costas de alguém vestindo o pijama de Alice, ocupada em frente ao fogão.
— Mamãe! — gritou. No momento em que ia perguntar o que Alice tinha preparado para o café da manhã, a mulher virou-se.
— Bom dia, Julinho. — Sabrina sorriu e cumprimentou-o.
Júlio estacou.
Não era a mamãe, era a Tia Sabrina...
Nesse momento, Jorge também chegou e, ao ver Sabrina vestida com o pijama de Alice, paralisou.
Notando o olhar de Jorge sobre o pijama, Sabrina apressou-se a explicar:
— Ah, ontem fiquei brincando até muito tarde com o Julinho, e a Dona Ester já estava dormindo. Fiquei com vergonha de acordá-la para pedir um pijama, então... acabei pegando o da Sra. Cavalcanti sem permissão... Desculpe, professor, eu vou lavá-lo direitinho.
Jorge recolheu o olhar, sem dar importância.
— Não tem problema, é só um pijama. Ela tem muitos, um a mais ou a menos não fará falta.
Depois de dizer isso, ele não prestou mais atenção a Sabrina, virando-se para Dona Ester.
— E a Alice?
Dona Ester forçou um sorriso amarelo e respondeu a verdade.
— Não está aqui.
O rosto de Jorge fechou-se.
Essa mulher, Alice, estava cada vez mais audaciosa, ousando não voltar para casa a noite inteira.
— Quer que eu ligue para ela? — perguntou Dona Ester.
— Não se preocupe com ela. — Jorge, com o semblante frio, sentou-se na mesa de jantar por costume.
Ao sentar-se, percebeu que Alice não estava ali e não tinha preparado o café da manhã para ele.
No segundo seguinte, Sabrina aproximou-se com uma bandeja e colocou as tigelas de mingau na mesa.
— Eu acordei cedo, então preparei o café da manhã. — Depois de deixar o mingau, ela voltou à cozinha e trouxe as coxinhas e os acompanhamentos para o mingau.
Após dispor tudo sobre a mesa, sentou-se de frente para Jorge. O lugar onde, normalmente, Alice costumava sentar.
— Em casa, eu costumo cozinhar com frequência. Os meus pais e o meu irmão adoram a minha comida. Professor Jorge, Julinho, provem, por favor. — Enquanto falava, Sabrina colocava uma coxinha no prato de cada um deles.
— Obrigado, deu muito trabalho para você. — Jorge mordeu a coxinha de forma elegante. A sua expressão mudou levemente e o ritmo em que mastigava diminuiu um pouco.

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