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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 37

A senha da casa não tinha sido mudada. Alice digitou o código e entrou diretamente.

No sofá da sala, no primeiro andar, Sabrina, ainda de pijama, e Júlio brincavam e riam juntos.

— Hahaha! Tia Sabrina, faz cócegas, faz cócegas... Me desculpa! Me desculpa! Eu prometo que não te assusto mais e não vou mais fingir que acordei para te enganar, hahaha...

— Júlio, seu pestinha! Você fingiu ser um fantasma para me assustar! Vou te castigar! — As mãos de Sabrina faziam cócegas de leve na barriga do menino. Ele rolava de rir no sofá, sem nenhum sinal de estar bravo, ao contrário, ria muito feliz.

Alice parou na entrada e observou a cena em silêncio. Um aperto no peito a incomodou, como se tivesse entrado poeira no coração, causando uma sensação árida e dolorida.

Ela não se lembrava da última vez que Júlio havia deitado no colo dela e rido daquela forma.

Achava que era porque ele tinha crescido, já que com seis anos as crianças queriam agir como adultos. Por isso, acreditava que ele não queria mais aquele tipo de carinho e brincadeira.

Mas, no fundo, ele apenas não queria fazer mais aquilo com ela.

Quando Júlio era mais novo, não se separava da mãe por um minuto sequer. Não importava onde ou quando, tinha de estar sempre ao lado dela. Se ficasse mais de meia hora sem a ver, começava a chorar sem parar, pedindo por ela.

Então, naquela época, Alice não conseguia ir a lugar nenhum, apenas esperava o momento em que ele dormia para finalmente poder cuidar de suas próprias coisas.

Apesar do cansaço por ser tão requisitada pela criança, ela estava contente.

Contudo, ela ignorava o grande impacto que a convivência sutil podia ter na mente de uma criança tão pequena.

Ao longo daqueles anos, a forma como Jorge e a família Cavalcanti a tratavam havia, imperceptivelmente, influenciado Júlio.

Mas como antes estava presa na gaiola, não conseguia enxergar tudo isso. Apenas se submetia a todos e tentava encontrar a culpa nela mesma.

Agora que saltou fora da gaiola, finalmente compreendeu a raiz de tudo.

— Que confusão é essa logo de manhã? Fazendo bagunça desde o andar de cima até aqui embaixo, que feio!

— Vamos! — Sabrina prontamente se uniu ao menino e atirou-se no corpo de Jorge. As suas pequenas mãos macias buscaram cócegas na cintura forte dele.

Normalmente frio e controlado, Jorge era uma pessoa com pontos sensíveis. Pego de surpresa pelo ataque repentino da mulher e do filho, o seu corpo reagiu involuntariamente e ele caiu sentado no sofá.

Júlio e Sabrina jogaram-se sobre ele, cada um de um lado, e começaram a fazer-lhe cócegas sem parar.

De repente, a sala ficou preenchida pelas risadas da mulher e da criança, acompanhadas pelas reclamações de Jorge, que parecia zangado, mas sem nenhum sinal real de aborrecimento.

Isso só terminou quando Dona Ester apareceu para chamá-los para tomar o café da manhã. Ela, num relance, olhou na direção da entrada e reparou em Alice, que estava parada ali, sem saber há quanto tempo.

O rosto dela empalideceu subitamente.

— Senhora!

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