Lembrando-se de algo, Jorge continuou:
— Quanto à sua família... Assim que eu tiver um tempo, irei pessoalmente falar com eles para explicar a situação.
Ultimamente, ele andava atarefado demais. Tinha que se preparar para o encontro, na semana seguinte, com o novo diretor do centro de pesquisa do instituto do Sr. Alberto Almeida, lidar com os assuntos da empresa e ainda se preparar para ser promovido a professor titular. Além disso, precisava ajudar o seu pai a encontrar aquele gênio do xadrez que havia desaparecido.
Em resumo, uma infinidade de pendências vinha em sequência, e ele não tinha tempo de sobra.
Porém, a atitude de Alice era extremamente inflexível, e ele não queria continuar discutindo com ela por causa daquilo. Portanto, decidiu que explicaria a situação a Sabrina pessoalmente assim que encontrasse uma brecha.
Ao mencionar a família, Sabrina baixou os olhos.
— Não precisa, eu já expliquei em casa. Apesar de eles não entenderem e falarem que eu os fiz passar vergonha na cidade natal, insistindo para eu casar de novo. Mas não tem problema, basta eu não voltar lá durante um tempo e evitar aparecer. A minha família não é o mais urgente no momento...
Ainda que dissesse aquilo, Jorge percebeu o desconforto na voz da garota.
— Se você tiver alguma dificuldade, não hesite em me falar.
Sabrina pareceu hesitar, como se estivesse envergonhada, mas acabou confessando.
— É que a casa onde alugo... A moça que mora comigo também é lá da minha cidade e ficou sabendo do que houve com o casamento... Eu não tenho como continuar morando com ela. Além disso, ela conhece meus pais e o meu pai pode tentar me encontrar através dela a qualquer momento para me forçar a casar... Portanto, eu tenho que arrumar um novo lugar para morar o mais rápido possível.
Júlio, ao ouvir isso, olhou desesperado para Jorge.
— Não! Eu não quero que a Tia Sabrina se case com um bobo! Papai, dá um jeito, ajuda a Tia Sabrina!
Jorge assentiu com a cabeça e falou sem rodeios.
— Não se preocupe. Antes de você encontrar um lugar apropriado para morar, pode ficar aqui temporariamente.
— Ah? — Sabrina piscou, chocada e encabulada. — Professor Jorge, acha isso certo? A Sra. Cavalcanti já se ofendeu por minha causa. Se eu me mudar para cá, ela não ficará ainda mais zangada?
Ao mencionar Alice, os olhos de Jorge tornaram-se frios.
— Ela tem algum motivo para estar zangada? Se não fosse pela birra dela, a situação não teria chegado a este ponto. Pode ficar aqui sossegada, ela não tem a palavra final nesta casa.

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