Sara Lima ainda estava ali, então Alice não queria se alongar com Jorge. Na verdade, não havia muito o que dizer.
— Tia, quem estava no telefone com você? — perguntou a garota, curiosa. Ela havia notado que o humor da tia dera uma decaída após atender a ligação.
— Meu marido. — Alice não escondeu a verdade.
— O quê? A senhora é casada, tia? — Sara demonstrou grande choque com a revelação.
— Sim. — Alice assentiu. — Mas estamos prestes a nos divorciar. Os papéis já estão sendo providenciados.
Só faltava o seu mentor ajudar a finalizar o divórcio e ela não teria mais nenhum vínculo com Jorge Cavalcanti.
— Que lixo de homem! — praguejou Sara à mesa, franzindo a testa.
Alice saiu com o café da manhã, colocou-o sobre a mesa e deu uma risadinha.
— Como você sabe que o problema é com ele? E se a culpa for minha?
— Impossível. — A jovem negou prontamente. — Só de ter se casado com você, os ancestrais dele já devem ter soltado fogos de artifício no túmulo de tanta sorte. Se agora você quer o divórcio, com certeza o erro é dele!
O sorriso no rosto de Alice tornou-se ainda mais radiante.
Aquela menina era mesmo leal aos seus.
— Mas tia, você o ama? — perguntou Sara novamente.
As crianças daquela idade ainda nutriam as mais puras fantasias sobre o amor.
Contudo, essa pergunta deixou Alice verdadeiramente sem resposta.
Sua mão hesitou levemente ao servir a tigela. Sua mente começou a refletir a sério sobre o assunto.
Ela amava Jorge Cavalcanti?
Desde pequena, forçada ou por vontade própria, ela havia aprendido uma imensidão de coisas. A única que nunca estudara a fundo era o amor.
Fora no seu momento de maior desamparo, quando não sabia que rumo tomar, que conhecera Jorge.
Ainda que o encontro deles tivesse sido um infortúnio do destino, muito longe do ideal, Jorge assumira a responsabilidade após o ocorrido.
Pouco depois de se casarem, ela engravidara e dera à luz Júlio Cavalcanti.
Achara que finalmente tinha um lar. Um lar com um marido e um filho; algo que era só seu, um lar que nunca a abandonaria.
Então, ela o amava?
Sim, ela amava.
Ela amava Jorge e amava o lar deles.
Empenhara todas as suas forças para manter aquela família, esforçando-se para que todos fossem felizes.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!