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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 62

Jonas Farias estava de pé ao lado do carro, igualmente farto:

— Parem de me apressar, o que mais eu posso fazer?! Acham que eu queria isso? Já não disse que chamei o guincho?!

— Mas o seu guincho vai levar mais de meia hora! A essa altura vamos todos chegar atrasados, de quem vai ser a culpa?!

— É isso aí! Você, filhinho de papai montado na grana, não tá nem aí, mas nós somos trabalhadores! Um minuto de atraso é desconto no salário!

— A culpa é minha! Se descontarem dos seus salários, me procurem pra eu pagar! — Jonas também exibia uma expressão abatida. Ele, num raro lampejo, decidira ir para a empresa cedo. Estava dirigindo sem problemas, quem diria que a lata-velha fosse pregar-lhe uma peça logo ali?

Diante da pressão de uma multidão cada vez maior e da cacofonia furiosa de buzinas, Jonas sentiu a ira explodir. Com raiva de tudo, desferiu um chute brutal contra a calota da roda.

Foi no meio desse ataque de fúria violenta que uma voz feminina peculiarmente familiar soou às suas costas.

— Saia do caminho.

Jonas estacou. Ele estava em pleno transe de exasperação, pronto para descobrir qual mulher atrevida ousava pisar nos seus calos na pior hora. Girou nos calcanhares, dando de cara com a feição severa de Alice.

— O que você está fazendo aqui?

Alice também não imaginava que o dono daquele Panamera estorvando o trânsito da cidade inteira fosse justo Jonas.

Se estivesse num dia normal, jamais se meteria num negócio desses.

Mas hoje o buraco era mais embaixo. Ela tinha urgência em chegar ao instituto.

Sem soltar outra palavra, ela, com a frieza de uma pedra de gelo, empurrou Jonas — que tapava a porta do condutor — e abancou-se no banco.

— Que merda você está fazendo, Alice?! O carro é meu, saia daí agora mesmo! — O apreço que Jonas tinha por Alice beirava sempre à aversão pura.

Na sua perspectiva, Alice não passava de uma golpista interesseira que, a muito custo, escalara até a cama do rico Jorge Cavalcanti para casar com ele e, no fim, provara-se uma completa fútil sem tutano, boa apenas para atrapalhar a vida do rapaz.

Alice não deu ouvidos. Ajeitou-se no volante e, mantendo o cenho tenso, tentou dar a partida.

Puxou o pé no acelerador, provocando o rosnar do motor exclusivo de um Panamera.

Nisso, um dos motoristas próximos chegou ofegante empunhando seu kit, transbordando urgência.

— Esse aqui serve?

Alice deu uma olhadela superficial e apanhou a maleta.

Com a máscara estoica intransponível, saltou agilmente da direção rumo à dianteira metálica. Diante dos holofotes da multidão assombrada, içou o capô com precisão.

— Você perdeu o juízo, Alice?! O que pensa que vai fazer com a porcaria do meu carro? Acha que as coisas não estão feias o bastante?! — O abalo reativou a sanidade de Jonas, e o espanto deu lugar a um horror espasmódico.

Na sua cabeça delirante, a doida de pedra estaria finalmente descontando seu despeito!

Contemplando Alice sumir pela metade nas entranhas mecânicas do carro, Jonas atracou-se no seu pulso, repuxando-a violentamente.

— O que acha que vai fazer? Consertar isso? Uma dona de casa como você, arrumando carro?! Se você estragar alguma coisa e tiver de pagar indenização, me diz de onde você vai tirar grana?! Vai ter que implorar para o Jorge enxugar o estrago, como sempre!

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