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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 7

Quando Alice retornou à sua casa em Alvorada, os ponteiros já apontavam para a meia-noite.

Dentro da majestosa vila, unicamente a luz com sensor de movimento no corredor espantava o escuro opaco. Ao redor, rastejavam apenas trevas, com nenhuma solitária lamparina encarregada da guarita pela mulher que chegava exausta.

Exatamente na mesma medida que se desenrolaram os sete anos de casamento com Jorge; não se adaptara à família Cavalcanti, ninguém a aceitara genuinamente.

Outrora, abdicava sem dores perante a indiferença com a qual a tratavam, até servindo de conciliadora para não dificultar a vida de Jorge, com bajulações para agradá-los.

Convenceu-se que apenas os seus já valeriam a pena: tendo marido e o filho, não estaria mais como uma sem-teto desgarrada.

O fato, contudo, é que tudo não passava de uma ilusão ingênua sua.

Ela não acendeu as luzes, caminhando no escuro de volta para o quarto que dividia com Jorge. Diziam ser o "quarto do casal", embora no decurso desses sete anos a quantidade de vezes que dividiram a cama fosse irrisória. Na maior parte do tempo, Jorge dormia no escritório ou no quarto de hóspedes adjacente.

Apostava há tanto tempo que a figura dele remontava a estátuas ascéticas orientais: distante, comedido e sem muitos desejos físicos. Que devotava todos os seus esforços à educação, pesquisa científica e aos rumos da empresa.

E por esse motivo é que, aos vinte e seis anos, ele conquistou o título de professor adjunto, além de ter erguido o próprio laboratório particular e a sua empresa.

Agora ostentava trinta e três anos, com um considerável peso no domínio das áreas tecnológicas. Não apenas multiplicou o porte da empresa como se sagrou como um dos empresários jovens mais ilustres do país. Neste ano ainda havia grandes chances de promoção para professor titular.

Agora, era nítido que essa "compostura" e ausência de desejo só existiam quando o assunto era ela.

Naquele momento, Alice sentiu que esses seus últimos sete anos tinham sido uma enorme piada.

Com o celular nas mãos, seus dedos pairaram por alguns segundos sobre o número de Dr. Lima, até ela por fim apertar para ligar.

Alguns toques depois, a ligação foi atendida; a voz do outro lado soava fadigada, mas inegavelmente empolgada:

— Alice, ligando para mim uma hora dessas... Você tomou sua decisão?

— Sim, Dr. Lima, eu me decidi. — Alice fechou os olhos, em pausa por alguns instantes.

Nesses breves segundos, uma enxurrada de pensamentos a atravessou.

— Por ora, acho melhor não. Mais para a frente conversamos sobre isso.

— Feito, o que você mandar. — Dr. Lima concordou com um sorriso e, soltando um longo suspiro, completou em tom muito franco: — Alice, já se passaram sete anos. Fico verdadeiramente feliz por você ter conseguido deixar o passado para trás. Enfim... seja muito bem-vinda de volta!

— Obrigada — respondeu ela de maneira apática. Sua garganta, no entanto, parecia engasgada por um caroço amargo, doendo com intensidade.

Abaixando o telefone, Alice sentou-se na cama, fitando o vazio do quarto.

Naquele ambiente praticamente não existia nenhum objeto que fosse de Jorge. Desde o dia do casamento até o presente momento, que dirá uma festa, nem mesmo uma mera foto de noivos eles tinham.

De repente, ela percebeu o quão profundamente patética era aquela relação conjugal.

Afinal, Jorge não era, nem nunca seria, a sua salvação.

Puxando o ar profundamente, ela finalmente se resolveu. Ergueu-se, sacou a própria mala do closet e começou a arrumar os seus pertences.

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