Alice ficou um tanto surpresa, pois não esperava receber uma ligação de Sebastião Santos àquela hora.
Porém, pensou um pouco mais e deduziu que aquele homem devia estar ligando para exigir uma compensação dela.
Tudo bem. No fim das contas, ele a salvara, assim como a Sara Lima, e seu assistente realmente havia se machucado no processo. Contanto que estivesse dentro de suas possibilidades, a indenização devida seria paga.
Alice não pensou muito a respeito, muito menos se importou com a presença de Jorge, e atendeu à ligação de imediato.
— Alô, Sr. Santos. — A voz dela soou suave, com um tom de distanciamento.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Segundos depois, a voz agradável de Sebastião ecoou no alto-falante: — Alice Almeida, o que você está fazendo?
Alice olhou para a estrada à frente; provavelmente estavam perto do Solar da Família Cavalcanti. No entanto, ela não respondeu à pergunta de Sebastião. Ela achava que o que quer que estivesse fazendo não era da conta dele.
— Se está me ligando agora, é por causa daquele último incidente? Pode falar, desde que seja algo aceitável, eu cooperarei.
De repente, o carro freou bruscamente.
Com a criança no colo, o corpo de Alice foi jogado para frente sem controle. O celular escorregou de suas mãos e caiu. Felizmente, ela usava cinto de segurança e nada grave aconteceu.
Ela lançou um olhar descontente para Jorge e estava prestes a dizer algo quando notou que o semáforo estava vermelho. Acreditando que ele havia freado por causa da mudança de luz, acabou ficando em silêncio.
Naquele momento, a voz de Sebastião ecoou do celular:
— Alô! Alice, você está me ouvindo?
— Alice? O que aconteceu?
— Me responda, Alice!
— Alice, onde você está? Eu vou aí te procurar agora mesmo!
Alice não olhou mais para Jorge. Com esforço, ela esticou o braço e pegou o celular debaixo do assento. Com a respiração ainda ofegante, respondeu: — Estou bem. Estou no carro, houve uma freada brusca agora pouco e o celular acabou caindo da minha mão.



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