Quanto ao motivo de aquele homem estar irritado, aquilo não era da conta dela.
Alice guardou o celular e voltou a olhar pela janela.
Achou que o silêncio duraria até o Solar da Família Cavalcanti, mas Jorge foi o primeiro a quebrá-lo: — Quem estava te ligando agora pouco?
— Uma pessoa irrelevante. — respondeu Alice com indiferença.
— Uma pessoa irrelevante te ligaria espontaneamente e ainda se preocuparia com a sua segurança?
Ele ouvira perfeitamente: quando o celular de Alice caiu, o homem ficou muito ansioso, chegando até a dizer que viria procurá-la.
Jorge não acreditava que uma pessoa irrelevante faria tanto.
Naturalmente, Alice não achava que Jorge estava fazendo aquela pergunta por ciúmes; ela possuía autoconsciência suficiente para saber disso.
O mais provável era que aquele homem achasse que ela só prestava atenção no telefone e não cuidava da criança.
No fim das contas, aos olhos de Jorge e de toda a Família Cavalcanti, ela não passava de uma babá que cuidava do garoto.
— E o que tem? Não posso ter a minha própria vida social? Quem me liga tem que passar pelo seu crivo, Senhor Professor Associado Cavalcanti? — Alice deu um sorriso frio. — Jorge, eu não sou a Sabrina Saraiva, não sou sua aluna. Não se meta na minha vida.
— Alice, por que você sempre tem que envolver a Sabrina? Eu já lhe disse...
— Chega. — Alice o interrompeu rapidamente. Se continuassem, entrariam em mais uma briga interminável, e ela já estava farta daquele tipo de discussão. — O erro foi meu, eu não deveria ter mencionado a Sabrina. Chega de briga, eu estou muito cansada.
Evidentemente, Jorge ainda tinha coisas a dizer, mas, ao deparar-se com a postura implacável de Alice, acabou desistindo de continuar.
Ela pensava em ir embora assim que Júlio adormecesse.
Contudo, o menino balançou a cabeça negativamente: — Eu não vou dormir. Se eu dormir, a mamãe vai embora. Mamãe, não vai embora, tá?
O coração de Alice apertou. Para falar a verdade, ver Júlio suplicando de maneira tão comovente para que ela ficasse tornava impossível não se amolecer.
— Mamãe, eu quero comer a costelinha agridoce que você faz. — Júlio puxou a mão de Alice, suplicando.
Alice fitou Júlio e acabou soltando um suspiro: — Como você não está bem agora, não pode comer costelinha agridoce. Que tal eu fazer alguma outra coisa bem gostosa que você possa comer, pode ser?
Júlio refletiu por um momento. Como ele gostava de qualquer coisa que a mãe cozinhasse, assentiu com alegria: — Pode!

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