Quanto ao motivo de aquele homem estar irritado, aquilo não era da conta dela.
Alice guardou o celular e voltou a olhar pela janela.
Achou que o silêncio duraria até o Solar da Família Cavalcanti, mas Jorge foi o primeiro a quebrá-lo: — Quem estava te ligando agora pouco?
— Uma pessoa irrelevante. — respondeu Alice com indiferença.
— Uma pessoa irrelevante te ligaria espontaneamente e ainda se preocuparia com a sua segurança?
Ele ouvira perfeitamente: quando o celular de Alice caiu, o homem ficou muito ansioso, chegando até a dizer que viria procurá-la.
Jorge não acreditava que uma pessoa irrelevante faria tanto.
Naturalmente, Alice não achava que Jorge estava fazendo aquela pergunta por ciúmes; ela possuía autoconsciência suficiente para saber disso.
O mais provável era que aquele homem achasse que ela só prestava atenção no telefone e não cuidava da criança.
No fim das contas, aos olhos de Jorge e de toda a Família Cavalcanti, ela não passava de uma babá que cuidava do garoto.
— E o que tem? Não posso ter a minha própria vida social? Quem me liga tem que passar pelo seu crivo, Senhor Professor Associado Cavalcanti? — Alice deu um sorriso frio. — Jorge, eu não sou a Sabrina Saraiva, não sou sua aluna. Não se meta na minha vida.
— Alice, por que você sempre tem que envolver a Sabrina? Eu já lhe disse...
— Chega. — Alice o interrompeu rapidamente. Se continuassem, entrariam em mais uma briga interminável, e ela já estava farta daquele tipo de discussão. — O erro foi meu, eu não deveria ter mencionado a Sabrina. Chega de briga, eu estou muito cansada.
Evidentemente, Jorge ainda tinha coisas a dizer, mas, ao deparar-se com a postura implacável de Alice, acabou desistindo de continuar.



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