— Thiago. — A voz do homem era grave: — Trinta e um, treinador de boxe.
Isadora, aos vinte e oito anos, nunca imaginou que um dia chegaria ao ponto de voltar à sua cidadezinha para um encontro às cegas.
A casamenteira disse que as condições do homem eram boas, ele vinha de fora, os pais haviam falecido e ele tinha uma avó saudável.
Tinha uma casa de três andares na cidadezinha, comprou um apartamento à vista na cidade de Planalto e possuía um carro de mais de duzentos mil.
Além disso, abriu um clube de boxe em Planalto, com uma boa renda.
Todos o chamavam de Treinador Valente.
Neste momento, esse Treinador Valente de boas condições estava sentado à sua frente, alto e robusto.
Vestia roupas pretas, tinha um ar rústico, traços faciais definidos, usava cabelo raspado, era o que os mais velhos costumavam chamar de rosto honesto.
Mas ele mantinha uma cara de estátua de terracota, com um ar sério que era difícil esconder.
Frio e duro, bonito, mas rústico.
Parecia alguém difícil de se aproximar.
Isadora respondeu por educação: — Isadora, vinte e oito. Trabalho como tradutora.
Thiago olhou para a mulher incrivelmente pálida à sua frente, embora houvesse um sorriso em seus olhos, no fundo eles eram distantes e indiferentes.
Tinha um temperamento limpo, porém apático.
Ao observá-la, seu olhar fixou-se na pinta do tamanho de uma semente de gergelim no canto do olho dela, e sua expressão mudou levemente...
Após a apresentação, não houve continuação.
Como era seu primeiro encontro às cegas, Isadora não sabia lidar com a situação, e como Thiago era tão frio quanto o gelo, ela não tinha vontade de procurar assunto.
Então, segurou o copo para beber água como estratégia.
Depois de um copo d'água, Thiago ainda estava encostado na cadeira sem dizer nada, encarando-a sem expressão, como uma preguiça.
Isadora sentiu um arrepio e abriu os lábios calmamente.
— Treinador Valente, ouvi dizer que você tem boas condições, por que ainda vem a encontros às cegas?
Thiago baixou as pálpebras, com os olhos demonstrando intenção.
Depois de um tempo, ele disse: — Tá.
Isadora o viu pegar o casaco e sair caminhando; ela acompanhou com o olhar inconscientemente e ficou um pouco parada.
Ele era alto e largo, de ombros largos e cintura estreita, com boas linhas musculares e parecia cheio de força.
Nem precisava ser na cidadezinha, mesmo em uma grande cidade, sua figura e aparência seriam consideradas de primeira.
Pena que a personalidade não agradava.
No final, ela usou a desculpa "não gosto de homens levianos" para a casamenteira e encerrou o encontro às cegas.
O vento de janeiro era cortante, e as árvores em ambos os lados da rua da cidadezinha estavam cheias de luzes coloridas.
O forte clima de Ano Novo vinha em sua direção, familiar e estranho ao mesmo tempo.
Pensando bem, desde que entrou para a faculdade até começar a trabalhar, ela já não voltava havia oito anos.

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