Afinal, quem imaginaria que o namorado que a acompanhou por sete anos seria um animal cruel e infiel?
— Agradeço o esforço de vocês.
Vitória não mencionou uma única palavra sobre a transferência do hospital.
Quando pressionado, um canalha como Isaque seria capaz de qualquer loucura.
A melhor estratégia era mantê-lo tranquilo. Quando a poeira abaixasse, ela jogaria as cartas na mesa.
Se ele queria tanto lamber as botas de Kelly Lacerda, que fosse rastejar para lá.
Tornar-se o genro encostado da família Lacerda não seria tão fácil quanto ele imaginava. Ela só esperava que ele não se arrependesse depois.
— Vitória, finalmente você está me tratando um pouco melhor.
— Você não faz ideia de como eu fiquei triste com a sua frieza nesses dias. Eu mal consegui dormir.
Ao ver que a atitude dela estava menos gélida, Isaque se aproximou, tentando se fazer de vítima para recuperar a intimidade.
— Então vá passar um remédio no rosto.
Vitória não conseguia mais ser carinhosa como antes.
Ela sentia repulsa só de olhar para ele. Controlar a vontade de lhe dar uma surra exigia um autocontrole tremendo.
Evidentemente, Isaque não percebia os sinais. Fingindo manha, ele se inclinou ainda mais perto dela.
— Você é tão cruel, amor. Está muito cansada do trabalho? Vem, deixa o seu homem te dar um pouco de carinho. Garanto que todos os seus problemas vão sumir!
Dizendo isso, ele avançou para beijar os lábios dela.
Vitória cerrou os punhos, hesitando sobre como empurrá-lo sem levantar suspeitas.
De repente, batidas soaram na porta.
Ela sentiu como se tivesse sido salva por um anjo.
Imediatamente, empurrou Isaque e gritou:
— Pode entrar!
Rejeitado, os olhos de Isaque se encheram de uma fúria sombria.
A sua expressão ficou ainda pior ao ver quem entrava pela porta.
— O que você quer aqui de novo?
Isaque virou-se para Vitória, furioso e interrogativo.
— Quem é esse cara? Vitória, você está me traindo nas minhas costas?

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