Às sete e meia da noite, o celular de Vitória tocou pontualmente.
Ela estava sentada de frente para as janelas panorâmicas, observando o trânsito lá embaixo. O seu rosto estava coberto por uma frieza cortante.-
A chamada caiu por falta de atendimento, mas o outro lado continuou insistindo sem parar.
Após umas dez tentativas frustradas, a pessoa começou a bombardear de mensagens.
[Cadê você, Vitória Lacerda? Não atende, não responde. A gente não combinou que você vinha me buscar no hospital? Por que não chegou ainda?]
A impaciência e a irritação de Isaque saltavam da tela direto para o rosto de Vitória.
Ela deu um gole na sua água com gelo, com o rosto inexpressivo, e o ignorou.
[?]
Isaque estava visivelmente insatisfeito com a indiferença dela.
[Que palhaçada é essa? Tá dando chilique do nada por quê? Atende a porra do telefone!]
[Vitória Lacerda, a minha paciência tem limite! É bom você ter uma ótima explicação para isso!]
[Vitória Lacerda!]
Sendo ignorado repetidamente, Isaque foi ficando cada vez mais furioso, intercalando ligações e mensagens sem parar.
Vitória soltou uma risada de escárnio e, de repente, atendeu o telefone.
— Vitória Lacerda, o que diabos você está fazendo?!
A voz de Isaque ecoou do outro lado da linha, reprimindo a raiva a muito custo.
Vitória notou que, mesmo furioso, a voz dele carregava aquela rouquidão típica de quem acabou de se satisfazer na cama. Ela franziu a testa, com nojo, e respondeu em um tom glacial:
— O que você quer?
Isaque congelou por um instante.
Vitória Lacerda era a famosa Rainha de Gelo do círculo da medicina legal.
Ela exalava uma elegância inata. Os seus gestos eram calmos e sofisticados, e, na mesa de autópsia, demonstrava um profissionalismo inigualável. Era conhecida como a Deusa Implacável da área.
No ano em que Isaque conseguiu conquistar Vitória, os homens do setor bateram no peito e choraram de desgosto por três dias seguidos até aceitarem a realidade!
Até hoje, Isaque era malvisto por aquela gente. Toda vez que ia buscá-la no trabalho, tinha que aguentar indiretas e deboches dos outros profissionais.

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