— Não vou poder ir hoje.
Vitória não queria olhar para a cara daquele lixo de homem. Em vez de perder tempo com a falsidade dele, preferia fazer hora extra no trabalho.-
— Vitória! — Isaque começou a se desesperar. — O que deu em você? Eu preparei essa surpresa com tanto carinho, e você simplesmente diz que não vai? O trabalho é mais importante que eu? Você ao menos liga para o seu namorado?
— E você? — rebateu Vitória.
— O quê?
Isaque sentiu um baque no coração. Um suor frio escorreu pelas suas costas de repente.
— O que quer dizer com isso?
Vitória apertou o celular com força. Ela queria jogar tudo para o alto e arrancar a máscara daquele canalha ali mesmo.
Mas a sua mãe ainda recebia tratamento no hospital dele. Para evitar que aquele covarde usasse a vida da mãe dela como moeda de troca em um ato de desespero, Vitória precisava engolir a raiva por enquanto.
— Nada. Desculpa, estou mesmo muito cansada hoje. A gente marca outro dia.
E sem dizer mais nada, Vitória desligou na cara dele.
Isaque ouviu o som do telefone mudo e o seu rosto escureceu.
Tinha algo muito errado com ela! Vitória nunca agiria assim!
Ele pegou as chaves do carro num solavanco e, assim que saiu do escritório, deu de cara com Kelly, que havia acabado de voltar.
— Por que você voltou?
Kelly agarrou o braço dele, manhosa.
— Já tava com saudade... A Vitória não veio ainda? Então vamos sair nós dois, vamos?
Ela se aproximou e sussurrou no ouvido dele, com um hálito quente.
— Eu comprei uma lingerie super sexy hoje...
A garganta de Isaque moveu-se, e a sua respiração acelerou um pouco.
Mas ele afastou Kelly com firmeza.
— Você é a Vitória Lacerda? A minha prima...
— Pedro Vieira! — Uma voz severa e magnética ecoou no ar. O jovem pareceu sentir um pavor imediato do dono daquela voz e soltou o braço de Vitória num piscar de olhos.
Como Vitória havia sido puxada para frente, quando ele a soltou de repente, ela perdeu o equilíbrio e caiu em direção aos degraus.
— Dra. Vitória! — gritou a assistente em choque, tentando segurá-la, mas agarrando apenas o vento.
Vitória franziu a testa, calculando em milissegundos como minimizar o impacto da queda. De repente, uma mão grande e firme envolveu a sua cintura. No instante seguinte, ela foi puxada com força, mergulhando de cabeça num peito amplo que cheirava a madeira de cedro.
Com o coração disparado, Vitória ergueu o rosto num instinto puro para olhar quem a segurava.
Mas ela só teve tempo de ver uma mandíbula esculpida e marcante antes de ter o pulso agarrado violentamente e ser arrancada daquele abraço acolhedor.
A voz de Isaque estourou bem no seu ouvido:
— Vitória Lacerda, o que você está fazendo?!
— Você me ignora o dia inteiro só pra vir se esfregar com outro homem?!

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