— Vitória Lacerda!
Isaque agarrou o braço de Vitória com força e a arrastou para um canto.
A raiva contida em sua voz quase cuspia no rosto dela.
— O que você pensa que está fazendo?!
— Eu já não te avisei? Ela é a herdeira do Grupo Lacerda! E você tem a coragem de denunciá-la? O seu cérebro apodreceu de tanto olhar para cadáveres o dia todo?!
Uma dor aguda atravessou os olhos de Vitória.
Mesmo sabendo que aquele homem era um dissimulado nojento.
Ouvir sua profissão ser usada como xingamento ainda doía de forma insuportável.
Aquelas palavras eram como lâminas afiadas rasgando seu coração, deixando-o coberto de sangue.
— Repita, Isaque Cavalcanti.
Vitória cravou o olhar nele, pronunciando cada sílaba com precisão letal:
— Repita exatamente o que você acabou de dizer!
Ao encontrar os olhos em fúria de Vitória, Isaque percebeu que havia perdido o controle e revelado o que realmente pensava no fundo de sua alma.
— Vitória... não foi isso que eu quis dizer... Eu... eu só acho que você está agindo por impulso.
Ele coçou a cabeça, sentindo-se encurralado.
Queria consertar a situação com mais mentiras, mas o pânico o impedia de formar uma frase coerente.
Por fim, Isaque tomou uma decisão e endureceu o tom:
— Vitória, escuta bem. Vá até aqueles policiais agora mesmo e diga que foi um trote, que tudo não passou de um mal-entendido. Depois, vá lá e peça desculpas de verdade à Srta. Lacerda.
— Você acha que só porque trabalha na polícia está imune? Acha que não precisa ter medo da vingança dela? Se você não tem medo por si mesma, não tem medo pela sua mãe?
— Sabia que a maior parte dos equipamentos deste hospital foi doada pelo Grupo Lacerda? Até o diretor tem que abaixar a cabeça para a Srta. Lacerda!
— Você fazer esse showzinho e ainda bater nela vai ter consequências gravíssimas!
— Eu vou tentar te ajudar no que der, mas você precisa colaborar comigo, tá bom, Vitória? Nós lutamos tanto para chegar até aqui. Você não quer me ver desempregado e sua mãe jogada na rua sem ter onde se tratar, quer?

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