Vitória Lacerda engoliu as lágrimas à força, sentindo a respiração nojenta dele vagar pelas suas costas.
Pensando na sua mãe em casa, um brilho feroz cruzou os olhos de Vitória. Aproveitando que o chefe tentava descer as calças, ela puxou rapidamente uma corda esquecida na parede, pronta para estrangulá-lo na primeira brecha.
Mas um vulto foi ainda mais rápido.
Com um baque surdo, o chefe caiu de costas no chão, urrando de dor.
Vitória apertou a corda com força, encarando o homem que surgiu do nada com o olhar de um lobo acossado.
A figura alta do homem virou-se lentamente. Ela não conseguia distinguir o rosto dele, apenas a silhueta caminhando na sua direção contra a luz fraca do poste.
— Não tenha medo. Eu estou aqui.
Essas foram as últimas palavras que Vitória ouviu antes de desmaiar.
As imagens daquela lembrança pareciam se sobrepor ao momento atual.
Até a voz soava igual.
Vitória estava atônita, com o rosto pressionado contra o peito do homem. Em seguida, os colegas da delegacia invadiram o Departamento de Medicina Legal, controlando rapidamente a confusão.
— Me solta!
— Com que direito vocês estão nos prendendo?!
— Soltem a gente agora!
Os xingamentos dos parentes de Antônio Loureiro trouxeram Vitória de volta à realidade.
Percebendo a postura íntima demais com Fernando Pereira, ela o empurrou levemente e deu um passo para trás, recompondo-se.
Notando o olhar avaliador dele sobre o seu rosto, Vitória tocou as próprias bochechas quentes, forçando a voz a sair firme.
— Obrigada.
Os dedos de Fernando roçaram uns nos outros ao lado do corpo.
— Não foi nada.
Fernando acenou com a mão, o tom baixo e implacável:
— Levem todos daqui.

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