— Mas, analisando as marcas nas roupas, essa era a única conclusão lógica.
Como o resíduo de pólen estava na altura do peito das vítimas...
A única explicação era que elas haviam segurado um buquê de flores por um tempo. Caso contrário, não haveria como aquelas marcas irem parar ali.
— A roupa da Isadora Vieira, que chegou há pouco, não parece ter nenhum traço de pólen.
— É verdade.
— Isso é muito estranho.
Vitória pensou por um momento.
— Vou precisar conversar com o Fernando sobre isso de novo. Você já está em casa?
— Já, já cheguei. E já me joguei no sofá. Depois de tantos dias de loucura, a única coisa que eu não quero fazer é me mexer.
Vitória deu um sorriso leve, passou algumas orientações sobre os cuidados com o ferimento e, após um "descanse bem", encerrou a ligação.
Ela procurou o número de Fernando Pereira na agenda, mas, em vez de ligar, enviou uma mensagem de texto.
[Encontrou a testemunha? Descobri uma pista nova por aqui, preciso falar com você.]
Nenhuma resposta de Fernando.
Vitória esperou mais um pouco. Como ele continuava em silêncio, pediu o número de Pedro Vieira a um colega.
Pedro Vieira atendeu a ligação surpreso. Ao entender o motivo, disse que poderia ir até ela imediatamente.
— Então te espero naquela cafeteria da esquina.
Meia hora depois, Vitória viu Pedro Vieira entrar apressado no estabelecimento.
Ele claramente tinha vindo correndo. A testa estava coberta de suor.
Vitória se sentiu um pouco culpada. Estendeu-lhe um lenço de papel, pedindo desculpas:
— Sinto muito, atrapalhei os seus compromissos?
— Que nada. A Dra. Lacerda está se dedicando ao caso da minha prima. Eu que não tenho como agradecer.
Vitória deu um sorriso contido e empurrou uma xícara de café para ele.
— Não sabia do que você gostava, então pedi um latte.

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