Os dois conversavam com os convidados como se fossem recém-casados.
Dulce também usava um vestido longo azul-tinta. Com um sorriso charmoso e doce no rosto, segurava o braço do homem, formando um casal perfeito e elogiado por todos.
Uma ocasião tão formal.
Ele exigira sua presença, mas... nunca havia reservado nenhum lugar para ela.
Descaradamente, transformando-a em uma intrusa, forçada a assistir o quão apaixonados eles eram.
Celeste sentiu como se tivesse engolido um pedaço de ferro bruto, arranhando sua garganta várias vezes, até conseguir suportar à força aquela "humilhação" silenciosa.
Ela refletiu.
Já que Gregório tinha tomado a decisão de trazer Dulce.
Por que insistiu que ela também viesse?
Afinal, quem era a pessoa sobrando ali?
Não era à toa que ele não atendia o telefone. Desde o início, a escolha dele para acompanhá-lo no evento foi Dulce, e por isso a ignorou.
Em um momento de distração.
Celeste percebeu que o olhar de Dulce a encontrou.
Um lampejo de sarcasmo cruzou os olhos da outra mulher, que a avaliou de cima a baixo. Após um olhar de total desprezo, ela se inclinou perto do ouvido de Gregório para murmurar alguma intimidade, esbanjando a confiança e a serenidade de quem se portava como a esposa legítima.
Celeste olhou para si mesma. Vestindo um vestido em um tom de azul muito parecido com o de Dulce, agora ela se sentia uma verdadeira palhaça.
Ela não se aproximou.
Sabia muito bem que, se nem antes, quando não falavam em divórcio, ela havia feito um escândalo, que sentido teria ir questioná-lo agora? Questionar por que Gregório trouxe a amante para se exibir?
Se fizesse isso, a única que pareceria não ter título ou posição seria ela mesma.
Celeste forçou um sorriso amargo de canto de boca e virou-se para entrar no salão.
Ela havia sido muito ingênua.
Chegou a pensar que Gregório não se importava de tornar sua identidade pública, e que, após sete anos, às vésperas do divórcio, ele finalmente lembrara de lhe dar um título.
No fim, a verdade era que ele não tinha a menor intenção de tê-la ao seu lado; ao invés disso, optara por trazer Dulce.
Dulce não mencionou ter visto Celeste e levantou o rosto para perguntar a Gregório, com um sorriso suave e sedutor:
— Onde está o Urbano? Ele me ligou várias vezes, mas agora que chegamos, não vejo sinal dele.
Gregório percorreu o ambiente pelo canto do olho e respondeu:
— Vamos entrar primeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....