— Na verdade, você não precisa fazer questão de esconder as coisas de mim. O que quer que você faça, eu não vou impedir — disse Gregório, fechando a tampa metálica do isqueiro e olhando para Celeste mais uma vez, com um tom de voz que não demonstrava nada de anormal.
Aquelas palavras feriram Celeste profundamente.
Fez parecer que tudo não passava de um desejo unilateral dela, que era ela quem estava encenando aquele teatrinho sozinha.
Ela sabia muito bem que a história do 'aborto' não seria capaz de despertar sequer um pingo de pena ou arrependimento em Gregório, e também não tinha feito aquilo para arrancar uma atitude dele.
Era apenas a constatação de que havia percebido as coisas tarde demais, de que havia se sujeitado a humilhações por muito tempo, e que deveria ter se separado de Gregório muito antes.
— Acho que você deve ter uma coisa bem clara: se vai impedir ou não, isso não faz a menor diferença para mim. Você não tem como interferir nas decisões que eu já tomei — Celeste também deixou sua posição bem definida.
Em um instante, parecia que ambos, em um acordo tácito, haviam empurrado a situação e a atmosfera para um nível ainda mais hostil.
Por trás daquela conversa aparentemente tranquila, na verdade, nenhum dos dois dava trégua ao outro.
— Se você insiste em machucar o seu próprio corpo, por acaso eu posso sentir a dor no seu lugar? — disse Gregório, o tipo de homem que, no dia a dia, mantinha a educação e uma certa distância, mas na realidade, era especialista em dizer coisas cruéis.
Celeste entendeu o que ele quis dizer.
Havia um tom velado de deboche.
Era como se dissesse que, com toda a sua capacidade e o seu temperamento forte, no fim das contas, a única coisa que ela conseguia fazer era arruinar a própria saúde.
Ele sempre conseguia, de forma inesperada, acertar no ponto onde mais doía.
Parecia que, naquela noite, era uma das raras vezes ao longo de todos aqueles anos em que estavam batendo de frente com tamanha intensidade.
E ainda mais rara era aquela troca ríspida de palavras, uma emendando na outra.
Antes, Gregório quase nunca dava atenção quando ela tentava brigar.
Celeste achava que, mesmo tendo falado sobre o 'aborto', o assunto seria varrido para debaixo do tapete sem causar qualquer alvoroço entre os dois, como sempre acontecia.
Mesmo que não fosse uma discussão histérica, ela conseguia sentir que Gregório não estava totalmente inabalado.
Mas ele era um homem impossível de decifrar.
E ela realmente não se importava mais com o que se passava na cabeça dele.
— Neste nosso tempo como marido e mulher, você nunca foi capaz de sentir um pingo de compaixão por mim, então jamais esperaria que sentisse a dor no meu lugar — rebateu ela.
Ela estava determinada a derrubar cada palavra que ele dissesse, não deixando espaço para que fingissem que estava tudo bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Ela repete o mesmos pensamentos várias vezes. E o mais incrível u.a é prisioneiro e o outro é livre, no final ele teve um motivo muito importante para agir assim e vai querer compensar tudo....
Essa personagem é humilhada apor bens materiais....
Eu adoro histórias assim que a autora humilha a personagem principal por todo história para no final o homem estar apenas sendo enganado ou protegendo ela e acaba perdoado, ainda d põem alguém da família pra ajudar na humilhação, fica o romance perfeito!...
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...
O melhor dessa história é que a autora põem a personagem para ser humilhada e trocar tudo por dinheiro, ou seja dignidade zero...
Adorando esse livro. Espero que o divórcio da Celeste demore o suficiente para o Gregório descobrir que sua salvadora do sequestro é Celeste. Que esse capítulo seja em breve....