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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 152

O mundo desacelerou até parar. A tempestade, o frio cortante, o rugido ensurdecedor do mar; tudo se dissolveu em um vácuo silencioso.

Havia apenas o contato, o peso do corpo de Olívia em seus braços, o calor tênue de uma vida que teimosamente se recusava a ser extinta.

— Léo... — o sussurro dela foi um fio de voz, frágil como vidro, mas cada sílaba atingiu Ian como um raio. — Ele... precisa de mim. Ele... — uma crise de tosse a sacudiu, o corpo todo estremecendo contra o dele. — Ele precisa de você.

O coração de Ian pareceu parar e então reiniciar com uma brutalidade que lhe roubou o ar. Naquelas palavras simples, entrecortadas pela dor e pelo esgotamento, havia uma verdade mais poderosa que qualquer declaração de amor. Em meio à ruína, ao sal e ao sangue, ela o escolhia. Não por paixão, não por dever, mas por pura, crua necessidade. E naquele instante, isso era tudo que importava.

Ele a puxou com mais força contra o peito, como se seu próprio corpo pudesse servir de escudo contra o destino.

— E nós dois voltaremos para ele, Olívia. Eu juro. Só... só não me deixe agora. Fique comigo.

Suas próprias pernas tremiam, uma combinação de exaustão e da adrenalina que começava a esmaecer. A ferida em sua testa latejava, e o sangue escorria em um filete quente pelo seu rosto, misturando-se à água salgada. Mas Ian se moveu.

Levantou-se com ela em seus braços e cada passo na areia fofa foi uma batalha, cada metro uma vitória. O vento uivava, tentando derrubá-lo, o mar rugia sua fúria impotente, e a noite parecia se curvar para testemunhar a cena. Ainda assim, ele avançou.

Então, as luzes chegaram. Faróis vermelhos e azuis cortaram a escuridão como facas, pintando as ondas com cores sobrenaturais. Sirenes perfuraram o ar, seguidas por vozes gritando ordens, pelo som de botas correndo na areia.

— Ali! — uma voz gritou acima do caos. — Perto da água! É o Sr. Moretti!

Matheus foi o primeiro a alcançá-los, seu rosto uma máscara de alívio e horror ao ver o estado de ambos.

— Meu Deus, Ian... você está... você está todo ensanguentado. — ele disse, alcançando para ajudar a sustentar Olívia.

— Ela primeiro — a voz de Ian saiu rouca, um comando gutural. — Ela precisa de ajuda. Agora!

A cena se transformou em um turbilhão de ação controlada. Seguranças se aglomeraram ao redor, cobertores de emergência foram trazidos, lanternas poderosas iluminaram a área. Mãos se estenderam para tirar Olívia de seus braços, mas os braços de Ian se apertaram como aço.

— Cuidado com ela — ele rosnou para o homem mais próximo, seus olhos faiscando com um fogo perigoso. — Se um único fio de cabelo dela for arrancado, eu arranco as mãos de vocês.

Matheus tentou intervir, colocando uma mão no ombro de Ian.

— Ian, você está ferido. Você precisa deixar eles te examinarem também. Você pode ter uma concussão...

— Cuide dela primeiro — a voz de Ian cortou como uma lâmina de gelo, sem espaço para discussão. — Depois que ela estiver segura, você pode brincar de costurar o que sobrou de mim.

O resgate foi um borrão de eficiência treinada, mas para Ian, o tempo rastejava. Dentro da ambulância, ele se recusou a soltar Olívia, mantendo-a firmemente em seus braços mesmo quando os paramédicos tentaram gentilmente colocá-la na maca.

— Senhor, precisamos estabilizá-la para o transporte — um dos paramédicos insistiu.

— Toque nela para tirá-la de mim, e você vai precisar de outra ambulância — Ian fitou o homem com um olhar que prometia violência imediata, e o paramédico recuou, decidindo ser mais sábio.

Enquanto a sirene rasgava a madrugada e o mundo exterior se dissolvia em flashes de luz azul pela janela, Ian sentia cada respiração rasa de Olívia contra seu peito. Era fraca, mas estava lá. Um ritmo constante de vida. E com cada inspiração e expiração, algo fundamental dentro dele se realinhava, se transformava.

A culpa e a obsessão derretiam, fundindo-se em algo novo; um sentimento primitivo, feroz e possessivo que beirava a loucura. Ela era dele. E ninguém, ninguém, tocava no que era dele.

***

O hospital cheirava a antisséptico agressivo e cansaço acumulado. O relógio de parede, com seus ponteiros silenciosos, marcava quase quatro da manhã quando uma equipe de médicos finalmente conseguiu afastar Ian para um exame completo de Olívia.

Ele permaneceu de pé no corredor, encostado contra a parede branca e fria, o sangue agora seco e escuro em sua têmpora, seus olhos fixos na porta fechada como um falcão vigiando seu ninho.

Matheus apareceu minutos depois, seu terno caro manchado de água do mar e areia.

— Os médicos disseram... é um milagre. A queda, a hipotermia... ela deveria estar morta. Mas ela vai ficar bem. Vai se recuperar.

Ian não reagiu. Seus punhos estavam cerrados ao lado do corpo, sua mandíbula tão tensionada que doía. Ele ainda conseguia ouvir o rugido do mar em seus ouvidos, um som fantasma que se recusava a silenciar, um lembrete constante do que quase perdeu.

Quando a porta do quarto se abriu e o médico-chefe saiu, Ian se empurrou da parede em um movimento fluido.

O ar pareceu ser sugado do quarto. Por um segundo interminável, Ian não conseguiu respirar.

— Quem fez isso com você? — a pergunta saiu em um sussurro aterrorizantemente calmo, cada palavra pingando com uma fúria gelada.

Olívia piscou lentamente, tentando focar. Seus olhos se encheram de lágrimas que rolaram silenciosamente pelas têmporas.

— Ele... ele disse que era uma lembrança. Que o sangue novo da família precisava carregar a marca da verdade que todos esqueceram... — sua voz quebrou. — Ele me marcou, Ian. Como gado.

Ian se levantou tão abruptamente que a cadeira raspou no chão e caiu para trás com um estrondo. Seu rosto estava transformado em uma máscara de pura e absoluta fúria.

O médico recuou instintivamente, levando a prancheta ao peito como um escudo. Matheus, parado na porta, viu a transformação no rosto de seu chefe e soube, com um frio na espinha, que o inferno estava prestes a ser desencadeado.

— Ele a tocou — as palavras de Ian foram uma sentença de morte, saindo entre dentes cerrados. Seu corpo inteiro tremia, não de fraqueza, mas da energia contida de um vulcão prestes a entrar em erupção. — Aquele maldito lixo sanguíneo realmente pôs as mãos nela.

Matheus deu um passo à frente, erguendo as mãos em um gesto pacificador.

— Ian, espera. Pensa. Você está ferido, ela está traumatizada. Precisamos de uma estratégia, não de uma guerra sangrenta...

— Não há estratégia que valha depois disso! — Ian o interrompeu, sua voz um rugido que fez as paredes parecerem tremer. Seus olhos, quando se voltaram para Matheus, estavam incendiados. — Meu avô... aquele velho mentiroso... ele sabia. Ele sempre soube do que esse monstro era capaz. E agora ele vai me contar tudo. Cada segredo podre que ele escondeu.

Ele se virou e marchou em direção à porta, sua presença preenchendo o corredor com uma aura de violência iminente.

— Ian! — a voz de Olívia foi um suspiro fraco, cheio de pânico. — Por favor... não vá. Não deixe...

Mas ele já estava no corredor, seus passos ecoando como trovões no silêncio hospitalar. E antes que a porta do quarto se fechasse completamente, todos ouviram a promessa sussurrada, um juramento feito não a Deus, mas a todas as forças das trevas:

— Eu vou acabar com ele. Vou arrancar a raiz podre dessa família e queimá-la. E foda-se o sangue dos Moretti... vão aprender o preço de tocar no que é meu.

A porta se fechou com um clique suave, deixando para trás um silêncio carregado de terror e a promessa de uma vingança que consumiria tudo e todos em seu caminho.

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