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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 151

O impacto da água foi uma lâmina gelada que o cortou inteiro.

Por um segundo, o corpo de Ian não respondeu; o choque térmico roubou-lhe o ar, e o peso da roupa molhada o puxou para baixo. Mas ele não lutou contra a queda.

Lá embaixo, o mundo era negro. Um vazio líquido.

Ele abriu os olhos e viu apenas o nada.

O próprio som se dissolvia, substituído por aquele silêncio denso, quase sagrado, o tipo de silêncio que só existe antes da morte.

Mas então, algo atravessou a escuridão: o pedaço de tecido branco que ele ainda segurava no punho.

O mesmo que encontrara no jardim.

O mesmo pedaço do vestido dela.

Foi o estopim.

Ian nadou.

Não com técnica, mas com raiva.

O sangue pulsava nos ouvidos, e o sal queimava os cortes abertos nos braços. As pedras cortavam sua pele, mas ele não sentia.

Tudo o que importava era encontrar.

Um som surdo explodiu dentro de sua cabeça; o eco do próprio nome dela.

Olívia.

Ele emergiu com um jorro, o ar rasgando seus pulmões como fogo. A tempestade cuspia espuma ao redor.

A lua refletia-se nas ondas, e por um instante ele pareceu apenas mais um espectro entre os elementos.

— Onde você está?! — rugiu contra o vento, a voz engolida pela fúria do mar.

Nadou em direção à costa, o corpo pesado, cada braçada uma tortura. O sangue escorria da sobrancelha aberta, havia batido em algo submerso. Mas não parou.

Não podia.

O som do mar se misturava ao de seu próprio coração, e entre um lampejo de trovão e outro, ele a viu.

Um corpo pálido sendo arremessado pelas ondas contra a areia.

Para Olivia, o impacto foi como bater contra pedra líquida.

O ar fugiu do corpo dela em um único grito silencioso, e a escuridão a engoliu inteira assim que pulou aquele penhasco.

A água era um abismo. Fria, densa, brutal.

Ela afundou sem resistência, o vestido se abrindo ao redor como um véu fúnebre. O sal queimava os olhos, a garganta, e cada batida do coração parecia mais distante, mais lenta.

O som do mar era um rugido ensurdecedor; um coração antigo batendo sob a terra.

“É assim que termina”, pensou.

A última lembrança seria o gosto metálico da água, o frio cortando a pele, o peso da escolha.

Mas então, uma outra lembrança surgiu: olhos pequenos e sonolentos, um sorriso infantil.

Léo.

A mente dela gritou o nome como uma oração.

E naquele instante, algo dentro dela recusou a morte.

Os pulmões queimavam, os braços se moviam por instinto, buscando o alto. As ondas pareciam puxá-la de volta, uma, duas, três vezes. Cada vez que subia, o mar a arrastava de novo.

Mas ela insistiu. Um golpe de perna. Outro.

O desespero se tornou força.

Quando finalmente rompeu a superfície, o mundo era vento e espuma. Tossiu, engasgou, mas respirou, o ar cortou os pulmões como fogo, mas era vida.

A costa estava longe. Apenas um recorte de pedra e sombra.

Ela nadou, sem técnica, só com a fúria de quem não aceita desaparecer.

As ondas batiam, rasgavam a pele, puxavam o vestido pesado, mas ela continuou.

“Por ele,” pensou. “Por Léo. Eu preciso voltar.”

O corpo tremia, os dedos já não obedeciam, mas uma corrente súbita a empurrou para frente, como se o próprio mar, arrependido, quisesse devolvê-la.

A areia apareceu sob os dedos, fria e firme.

As lágrimas se misturaram à água salgada que escorria de seu rosto.

Os olhos de Ian.

A verdade é quando Ian a avistou, nadou com toda a força que restava. Ao chegar perto, tropeçou, caiu de joelhos na arrebentação, e a agarrou pelos ombros. O corpo dela estava frio, o vestido pesado como chumbo.

— Olívia! — gritou, sacudindo-a. — Não faz isso comigo, por favor...

Ela tossiu. Um som frágil, mas vivo.

E aquilo bastou.

Ele a puxou para o peito, o coração disparado, o rosto encostado ao dela.

A respiração dela vinha em soluços curtos, e os olhos, semicerrados, tentavam focar nele.

O mar os cercava, rugindo.

E, por um momento, Ian teve a sensação de que o oceano inteiro queria tomá-la de volta.

Mas ele não deixaria.

Quando ela finalmente sussurrou, a voz era quase inexistente.

— Você... — ela conseguiu sussurrar, o corpo inteiro tremendo. — ...você veio.

Ele a segurou contra o peito, o coração dele batendo forte, violento, real.

O cheiro de mar, sangue e fumaça se misturava entre eles.

Ian encostou a testa na dela, o rosto molhado, os lábios perto do ouvido.

— Eu nunca deixaria você.

E naquele instante, Ian Moretti, o homem de ferro, o impiedoso, o estrategista, deixou de existir.

O que emergiu do mar era algo novo, brutal e puro:

um homem disposto a destruir o próprio mundo para salvar a mulher que...

Amava.

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