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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 186

A chuva havia cessado, mas a terra do cemitério ainda exalava um vapor fantasmagórico, como se o solo guardasse o último suspiro de Nicolau. Ian permanecia imóvel no centro daquele silêncio fúnebre, os dedos contraídos em torno do pergaminho. A caligrafia do avô dançava diante de seus olhos, cada letra uma facada.

Léo Belmonte Moretti.

Filho de Ian Moretti.

Ele fechou os olhos, esperando que quando os abrisse o pesadelo tivesse passado. Mas a realidade permanecia, cruel e inegável, gravada no papel que ameaçava queimar sua pele.

— Isto é... uma farsa — sua voz saiu rouca, despedaçada. — Uma manipulação desesperada.

Quando levantou a cabeça, encontrou Alexander observando-o a poucos passos, com uma serenidade que só os verdadeiramente vingativos conseguem ostentar.

— Você — Ian cuspiu a palavra, avançando. — O que arquitetou? Quem pagou para forjar esta mentira?

— Eu? — Alexander riu baixo, um som seco e oco. — Apenas desempenhei meu papel de mensageiro. A verdade... bem, essa foi o presente de despedida do nosso amado patriarca.

— Mentira! — o grito de Ian ecoou entre os túmulos, carregado de uma dor visceral. — Nicolau nunca faria isso!

Os olhos de Alexander brilharam com perversa satisfação.

—Curioso. Pensei exatamente o mesmo quando descobri o que ele fez com minha mãe.

Ian sentiu o chão ceder sob seus pés.

—O que está insinuando? — sibilou, cada palavra um veneno.

— A verdade, Ian! Sempre a verdade! — Alexander deu um passo à frente, sua voz baixa mas cortante. — Você quer um vilão? Não sou eu. Nunca fui.

Seu dedo apontou para o peito de Ian como uma arma.

—O que eu odeio, irmão, não é você. É o que sua família fez com a minha. Mas com o tempo percebi... Você é tão vítima deles quanto eu. Aí está a prova.

A palavra "irmão" ecoou como um tiro. Ian sentiu algo se romper dentro de si.

— Não se atreva a me chamar assim! — ele avançou, agarrando Alexander pela gravata e esmagando-o contra um carvalho centenário. — Está brincando com fogo, Alexander! O que quer conseguir com isso? Destruir-me? Levar-me à loucura?

Alexander nem pestanejou. Seu olhar permaneceu gelado, transparente.

—Você realmente acha que preciso inventar mentiras? Está tudo ali — disse, com um movimento sutil da cabeça em direção ao pergaminho. — É a prova definitiva de que o império Moretti sempre foi construído sobre alicerces podres. O sangue deles corre em mim tanto quanto em você. E agora, aparentemente, também corre nas veias do menino que carrega seu nome sem que você soubesse.

O estômago de Ian revirou-se. Uma onda de náusea subiu por sua garganta, amarga e sufocante.

Não.

Era impossível.

Olívia.

A mulher que fizera seu coração,endurecido por anos de batalhas, voltar a bater com esperança.

A mulher que lhe fizera acreditar que podia existir pureza em meio à escuridão de seu mundo.

Ela o traíra?

Desde o início?

Como um furacão, as memórias começaram a se reorganizar em sua mente: o toque hesitante das mãos dela, as conversas interrompidas, a forma protetora como ela sempre mantinha Léo por perto, os olhares que ele interpretara como timidez, mas que talvez fossem culpa.

De repente,tudo fazia um sentido terrível.

Ele exigia respostas.

E ela iria fornecê-las.

Quando o carro parou diante da mansão, o motor ainda rugia quando ele saltou para a calçada. O vento noturno arrancava os últimos vestígios de racionalidade de sua mente.

Dentro dele, duas forças travavam uma batalha épica; o amor teimoso que ainda queimava em seu peito e a fúria devastadora que ameaçava consumir sua alma.

Ele sabia apenas uma coisa:

Olívia não escaparia.

Não desta vez.

Porque o homem que subia os degraus da escadaria não era mais o amante que a beijara na noite anterior.

Era um Moretti.

Ferido,traído, e pronto para exigir a verdade com a mesma frieza com que aprendera a aniquilar inimigos.

A porta da mansão abriu-se antes que ele a alcançasse. Olívia estava lá, pálida como a morte, seus olhos vermelhos e inchados testemunhando horas de choro.

— Ian — ela sussurrou, sua voz um frágil fio de esperança.

Ele ergueu o pergaminho amassado, seu rosto uma máscara de granito.

—Explique-se. Agora.

E em seus olhos, Olívia viu não apenas a fúria do homem traído, mas a escuridão do Moretti que despertara; e sabia que nada em suas vidas seria o mesmo novamente.

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