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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 187

O vento uivava entre os túmulos como um coro de almas perdidas, encurralando Olívia enquanto ela tropeçava no chão encharcado. Cada passo era uma agonia; não apenas pela terra que grudava em seus saltos, mas pelo peso da culpa que finalmente a alcançara. Seu vestido negro, apropriado para um funeral, agora parecia uma premonição de seu próprio luto interior.

Ela corria, mas sabia que não havia escapatória. As palavras de Alexander ecoavam em sua mente, uma sentença cruel: Léo Belmonte Moretti. Filho de Ian Moretti. Cada sílaba era um golpe, despedaçando anos de silêncio calculado.

Quando finalmente alcançou os portões do cemitério, suas pernas cederam. Apoiou-se contra as grossas barras de ferro, ofegante, enquanto as lágrimas misturavam-se à chuva em seu rosto. Foi então que viu Carla; sua amiga, sua confidente, a única pessoa que conhecia seus segredos mais sombrios.

— Olivia! — Carla correu em sua direção, abandonando o abrigo do carro. — Meu Deus, você está branca como a morte. O que aconteceu lá dentro?

As mãos de Olívia tremiam incontrolavelmente.

— Preciso ir para casa, Carla. Antes que ele... antes que Ian...

Carla segurou seu rosto gelado.

— Respira, querida. Respira comigo. O Ian fez algo? Ele te magoou?

— Pior. — Olívia engasgou, o peito ardendo. — Ele sabe. Alexander mostrou... havia um documento...

O rosto de Carla perdeu toda a cor.

— Não. Não é possível. Como Nicolau...?

— Era tudo verdade. — Olívia sussurrou, deslizando pela grade do portão até o chão. — Tudo que eu escondi... todos os anos... meu Deus, Carla, o que eu fiz?

A chuva caía mais forte agora, lavando suas lágrimas, mas não sua culpa. Carla a ajudou a levantar e a guiou até o carro, como se estivesse conduzindo uma sonâmbula.

Dentro do veículo, o silêncio era opressivo. Olívia observava as gotas de chuva escorrendo pelo vidro, cada uma parecendo levar consigo um fragmento de sua vida anterior.

— Lembro-me do dia em que descobri que estava grávida. — ela disse de repente, sua voz distante. — Fiquei paralisada de medo diante do teste. Como eu poderia criar o filho de um homem que eu sequer conhecia? Como proteger uma criança desse mundo?

Carla apertou sua mão.

— Você fez o que achou ser certo na época.

— Fiz o que era mais covarde. — Olívia corrigiu, amargamente. — E agora meu filho vai pagar por isso.

Quando chegaram à mansão, a visão do jardim trouxe uma dor aguda. Léo corria pela grama, seus risos inocentes ecoando no ar úmido. Helena o observava com afeto. Era uma cena perfeita; a vida que Olívia construíra com tanto cuidado, prestes a desmoronar.

— Mamãe! — Léo correu em sua direção, seus pequenos braços se abrindo.

Olívia ajoelhou-se, envolvendo-o em um abraço tão forte que o menino protestou.

— Você está me apertando forte, mamãe!

— Desculpe, meu amor. — ela sussurrou, enterrando o rosto em seus cabelos macios. — A mamãe te ama mais que tudo neste mundo. Você sabe disso, não sabe?

Léo assentiu, sério.

— Eu também te amo. Por que você está chorando?

Ela enxugou rapidamente as lágrimas.

— São só... gotas de chuva, querido. Ouça, você vai passar a noite na casa da tia Carla, está bem?

— Eu estava tentando protegê-lo! Protegê-lo de seu mundo, de sua família...

— De mim? — Os olhos de Ian brilharam perigosamente. — Você estava protegendo ele de mim?

Olívia calou-se, a verdade de suas palavras ecoando em sua mente. Talvez, em algum nível, ela estivesse.

Ian balançou a cabeça, uma expressão de descrença profunda em seu rosto.

— Todo esse tempo... todas as vezes que falei sobre meu passado, sobre minha dor... e você estava lá, sabendo que estava infligindo a mesma coisa em nosso filho.

Ele deu um passo para trás, como se não suportasse estar perto dela.

— Quem é você, Olívia? Porque a mulher que eu amei... ela nunca teria sido capaz de algo tão cruel.

A pergunta a perfurou mais profundamente que qualquer acusação. Porque em seu coração, ela mesma se perguntava a mesma coisa.

E quando Ian se virou para sair da mansão, deixando-a sozinha na sala, Olívia soube que algumas feridas nunca sarariam, e que algumas verdades, uma vez reveladas, mudavam tudo para sempre.

Ian estava lá fora quanto a tempestade aumentava, mas o verdadeiro dilúvio havia apenas começado dentro dela.

Sem sequer pensar, ela correu atrás dele, parando bem no meio da chuva torrencial.

— O que você queria, Ian? — Ela grita em suas costas e ele trava. Olívia, por fim, deixa toda sua raiva exasperar. — Queria que eu simplesmente falasse que tinha um filho com você quando você sequer se lembrava de mim?

Ian vira para encará-la no mesmo instante. Sua raiva, por um momento, parece se assentar quando, olhando profundamente naqueles olhos castanhos, ele relembra... pela primeira vez em anos, daquela noite.

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