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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 198

O quarto de hóspedes na casa de Carla estava mergulhado em penumbra. O abajur deixava um círculo tênue de luz sobre a cama onde Léo dormia, respirando de forma tranquila, alheio ao caos que devastava o mundo de sua mãe. Olívia estava sentada no chão, encostada na parede, as pernas recolhidas contra o peito. As lágrimas haviam parado, mas o rosto ainda estava manchado, e os olhos, vermelhos, denunciavam horas de choro contido.

Cada vez que olhava para o filho, o coração se partia mais um pouco. Ele dormia tão sereno, tão bonito, e ela só conseguia pensar que Ian, o homem que mais amou e mais a destruiu, agora sabia. Sabia de tudo.

E com isso, podia tirar tudo.

Carla apareceu à porta, silenciosa, trazendo uma xícara de chá. Parou, hesitando diante da cena: Olívia no chão, os dedos entrelaçados, o olhar perdido no menino. Colocou a xícara na mesinha e se aproximou devagar.

— Você precisa dormir um pouco.

— Não consigo — murmurou Olívia, sem erguer os olhos.

Carla se abaixou ao lado dela.

— Ele está machucado, Olívia. Está reagindo com raiva, mas não vai machucar o próprio filho.

Olívia deu um riso curto e amargo.

— Você acha que eu tenho medo de Ian machucar o Léo? — seus olhos finalmente a encararam, frios e brilhantes. — O que me apavora é ele tirar o Léo de mim. Ele tem dinheiro, poder... advogados. Eu sou só uma mãe que mentiu.

Carla tentou pegar sua mão.

— Você fez o que achou certo na época.

Olívia se soltou, balançando a cabeça.

— Eu devia ter contado quando o reencontrei. Por mais que doesse, por mais que me destruísse. Agora, ele me odeia. E vai usar cada pedaço desse ódio pra me punir.

O silêncio entre as duas foi quebrado apenas pela respiração suave do menino. Olívia se levantou e foi até a cama. Passou os dedos pelos cabelos do filho, afastando uma mecha da testa dele.

— Você é a única coisa boa que já fiz — sussurrou. — E eu juro, meu amor... ninguém vai te tirar de mim.

Ajoelhou-se ao lado da cama, pressionando os lábios contra a pequena mão dele.

— Ninguém. Nem o destino. Nem o seu pai.

Aquela promessa soou como um juramento antigo, ecoando dentro dela. Pela primeira vez, não havia mais espaço para fuga. O medo ainda estava lá, pulsando, mas algo novo nascia junto: uma força que vinha do fundo, o instinto primitivo de proteger o filho.

Ergueu-se, limpando as lágrimas com o dorso da mão.

— Eu vou enfrentá-lo.

Carla se levantou também, alarmada.

— O que você vai fazer?

— Dizer a verdade — respondeu Olívia, com a voz firme. — Toda ela. Não mais fugindo. Não mais me escondendo.

Naquela madrugada, enquanto Léo dormia e o vento balançava as cortinas, Olívia decidiu que no dia seguinte não haveria mais mentiras.

Só a verdade. Por mais dolorosa que fosse.

***

O apartamento antigo de Ian parecia menor do que ele lembrava. O ar estava pesado, abafado, cheirando a uísque e passado. Ele não vinha ali desde antes da morte do pai, mas precisava de um lugar onde pudesse pensar; longe dos olhares, longe da imprensa, longe das memórias do seu avô ao redor de toda aquela mansão. E principalmente, longe de Olívia.

Sentou-se à mesa, diante do retrato de Nicolau que havia ali. A moldura de prata refletia a luz fria que entrava pelas janelas. Ao lado, o testamento, dobrado, já amassado de tanto ser manuseado.

“Seu filho.”

Matheus apenas o observou. A frieza nos olhos do patrão era perigosa, mas havia algo mais ali, uma dor tão profunda que ameaçava despedaçá-lo.

Quando Matheus saiu para atender o telefone, Ian ficou sozinho. O apartamento, silencioso, parecia observá-lo.

Sobre a mesa, o testamento. Ao lado, o retrato do avô.

E então, como se o universo tivesse ouvido o nome dela, o celular vibrou. Era Matheus outra vez.

— Senhor... ela mandou dizer que amanhã o senhor pode ver o menino. Mas... — ele fez uma pausa — ...não será sozinho.

Ian ficou em silêncio por longos segundos.

Então respondeu, apenas:

— Diga a ela que não importa.

Desligou. E, ao fazer isso, olhou em direção à estante. Um velho carrinho de madeira, gasto, repousava ali. O brinquedo que Nicolau lhe dera quando era criança e o único que sobreviveu aos anos e às perdas.

Ele o pegou, girando as rodinhas entre os dedos. O som delas rangendo parecia o eco distante da própria infância.

— Seis anos... — murmurou. — Seis anos perdidos.

Guardou o carrinho no bolso do paletó.

No dia seguinte, ele iria conhecer o filho.

E, pela primeira vez em muito tempo, Ian Moretti não sabia se estava prestes a se vingar…

ou a se redimir.

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