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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 265

A madrugada era uma mancha de tinta úmida e fria contra a pele quando Ian e Olívia deixaram para trás a casa da mentira. O carro parecia uma cápsula flutuando entre dois mundos — o passado dilacerado que acabavam de desenterrar e o futuro iminente que os aguardava na mansão Moretti.

Olívia tremia, não pelo frio, mas pelo terremoto interno que reconfigurava cada átomo de sua identidade. Ela não era filha de Nora. Era filha de uma mulher fantasma chamada Lenora, ligada aos Moretti. Seu sangue estava entrelaçado com o veneno que tentava matá-la. Mas acima desse turbilhão, um único pensamento batia como um tambor primal: Léo.

Ela olhou para Ian, ao volante. A luz fraca dos postes que passavam iluminava seu perfil duro, a ferida acima do olho ainda negra e úmida, a camisa rasgada e escura de sangue seco e novo.

— Você está sangrando de novo — ela disse, sua voz saindo rouca da garganta seca.

Ian tocou o corte com os dedos, quase distraidamente.

— Vai parar. Vai sarar — ele respondeu, seus olhos fixos na estrada escura como se pudesse perfurá-la com a força da vontade. — Tudo isso vai sarar. E vai acabar. Hoje.

A certeza em sua voz era absoluta, feroz. Não era uma esperança; era uma promessa de violência.

Olívia acreditou. Naquele momento, precisava acreditar em algo. Aperteu os braços ao redor do próprio corpo, sentindo o vazio onde Léo deveria estar. A imagem do seu quartinho simples na casa de Nora, a casa dos segredos, parecia um sonho distorcido. A única realidade agora era a mansão à frente, suas luzes uma constelação artificial no topo da colina.

Ao se aproximarem, porém, algo estava errado. A calma militar usual havia sido substituída por uma agitação silenciosa. Veículos estavam deslocados, homens se moviam rápido entre as sombras dos jardins, conversando em rádios. A porta principal estava aberta, luzes fortes vazando para a noite.

Ian estacionou com um solavanco, seu corpo já em tensão máxima antes mesmo de sair do carro. Olívia o seguiu, suas pernas pesadas, mas movidas por uma adrenalina renovada. Léo, Léo, Léo.

— O que aconteceu? — a voz de Ian trovejou ao entrar no hall de entrada, ecoando no mármore.

Matheus se virou de onde estava, perto da escadaria principal. Seu rosto estava uma máscara de fracasso e fúria contida.

— Ian — ele começou, mas Olívia não esperou.

Ela passou por eles como um furacão, subindo os degraus dois a dois, seu coração batendo em um ritmo de pânico puro. O corredor até o quarto de Léo parecia alongar-se infinitamente. Ela empurrou a porta, já formando o nome dele nos lábios.

O quarto estava iluminado pela suave luz noturna, o cobertor com estampa de foguetes ainda dobrado na ponta da cama. Os brinquedos organizados. O urso de pelúcia caído no chão.

Vazio.

O quarto estava vazio.

Por um segundo, seu cérebro se recusou a processar. Ele devia estar com Helena. No jardim de inverno. Na cozinha. Em qualquer lugar.

Ela virou e correu de volta, descendo as escadas tão rápido quanto subira, sua respiração um apito agudo no peito.

— ONDE ELE ESTÁ? — o grito saiu de suas entranhas, dilacerado, primordial. Ela agarrou o braço de Ian, suas unhas unidas cravando-se no tecido ensanguentado. — IAN, ONDE ESTÁ O NOSSO FILHO?

Ian a olhou, e pela primeira vez desde que ela o conhecia, viu algo se despedaçar por trás dos seus olhos. A fúria, a determinação, o controle — tudo se dissolveu em uma desolação pura e crua. Ele abriu a boca, mas nenhum som saiu. Apenas balançou a cabeça, uma negação lenta e horrível.

— Ele… — a voz de Ian falhou. Ele engoliu, forçando as palavras. — Ele foi levado.

As palavras não fizeram sentido. Levado. Como? Por quem? A mansão era uma fortaleza. Helena estava com ele. Os seguranças…

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