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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 268

Do telhado do armazém adjacente, o vento do rio cortava como uma lâmina. Ian estava deitado de bruços, os olhos colados ao visor de um dispositivo de visão noturna. No ouvido, cada palavra da confissão de Helena chegava com clareza cristalina através do pequeno transmissor que Olívia carregava.

O choque foi uma onda de gelo que paralisou seus músculos.

Helena, mãe de Olívia. Alexander, primo dela. Diana, assassinada a mando Nicolau. Seu próprio avô, um monstro.

Cada revelação era um golpe no edifício de certezas que sustentava sua vida. A raiva que o consumira desde a noite anterior não diminuiu — ela se transformou. Não era mais um fogo selvagem. Era um frio nuclear, concentrado, letal. A mulher que ele amava era filha da mulher que arquitetou a queda de sua família. E ela estava lá, no coração do covil, com seu filho.

Quando Helena fez a oferta — fuga ou vingança —, Ian sentiu uma pontada de algo que o surpreendeu: concordância. Por um instante fugaz, brutal, ele viu a lógica cruel da sentinela. Ele, Ian, era o último elo da corrente venenosa. Seu amor por Olívia era real, mas também era uma sentença de morte para ela e para Léo. Talvez o verdadeiro ato de amor fosse desaparecer.

Mas então ele olhou para Matheus, ao seu lado, que observava a cena com a mesma frieza profissional. E para os homens posicionados ao redor do perímetro, sombras treinadas obedecendo a seus comandos. E lembrou-se do peso do nome Moretti. Não era só um legado de sangue. Era uma responsabilidade. A podridão precisava ser expurgada, não fugida.

Ele não poderia destruir Olívia. Mas moveria o próprio mundo para limpar o caminho para ela. Para eles.

No fone de ouvido, a voz de Olívia, trêmula, mas clara, respondeu a Helena:

— Você está certa sobre uma coisa. O amor de uma mãe é a única força que nunca deveria ser usada como arma. — Uma pausa calculada. O código. — Léo e eu vamos pegar a estrada que você nos deu. A estrada sem Morettis.

"Vamos pegar a estrada." A frase combinada. O sinal.

Ian soltou o ar que nem sabia estar prendendo. Um alívio agudo e doloroso o perfurou. Ela estava jogando. Confiando nele.

— É hora — Ian disse, sua voz um sussurro metálico no comando de rádio que conectava todos os seus homens. — Todos os pontos. Ação em dez segundos. O alvo primário é a recuperação segura da criança e da mulher. Ninguém atira a menos que eu ordene. O homem chamado Alexander é vivo. Eu o quero vivo.

Dentro do armazém, sob a luz fria do holofote, Helena sorriu, um gesto de profundo alívio e orgulho triste. Ela acreditara. Acreditara que o instinto de sobrevivência da filha, o amor pelo filho, falaria mais alto que qualquer lealdade a um homem e um nome que só lhe trouxera dor.

— Você fez a escolha certa, minha filha — Helena disse, sua voz carregada de uma emoção rara. — O amor de uma mãe é a única bússola que nunca falha. Vamos. Eu abrirei o caminho.

Ela fez um gesto para Alexander, Clara e Alberta, que começaram a se mover em direção a uma porta lateral escura, um suposto caminho de fuga. Helena colocou uma mão nas costas de Olívia, guiando-a e a Léo para a mesma direção. Seu toque era suave, protetor. O toque da mãe que finalmente podia mostrar sua verdadeira face.

Olívia caminhava, seu coração batendo na garganta. Ela sentia o peso da escolha falsa, a traição que estava prestes a cometer contra a mulher que a criara em segredo. Segurava a mão de Léo com força, seu olhar fixo na porta à frente, na promessa de liberdade que era uma isca.

Eles estavam a poucos metros da saída quando Helena parou. Seu corpo, sempre tão ereto e calmo, ficou rígido. Seus sentidos, afiados por décadas de vigilância, captaram algo que os outros não perceberam. Um silêncio errado lá fora. A ausência dos sons noturnos habituais do estaleiro.

— O que você fez? — a pergunta de Helena saiu baixa, uma lâmina de suspeita.

Olívia parou, mas não se virou. Manteve o olhar na porta.

— O que qualquer mãe faria, Helena — Olívia respondeu, sua voz agora firme, sem tremor, carregada de uma nova força que vinha do fundo do seu ser. — Protegi meu filho. Mas não da maneira que você acha. Protegi-o da guerra que você queria travar usando o coração dele como campo de batalha. Protegi-o mostrando que há outra maneira. Não é preciso destruir um império para ser livre. Às vezes, você só precisa… tomar o controle dele.

Antes que Helena pudesse reagir, a porta lateral que seria sua fuga se abriu violentamente. Mas não para a liberdade.

Foi aberta por dois homens grandes vestidos de preto, armas em posição de descanso, mas prontas. E atrás deles, iluminado pelas primeiras luzes do amanhecer que raiava atrás de si, estava Ian.

Ele não estava sozinho. À sua esquerda, Matheus, uma presença sólida e mortal. À sua direita e atrás dele, uma escolta de pelo menos oito homens, posicionados em formação defensiva, bloqueando completamente a saída e flanqueando os ocupantes do armazém. A luz do nascer do sol tingia de laranja e ouro as faces sérias dos homens, criando um contraste surreal com a escuridão do galpão.

Ian parecia um rei guerreiro saído de um pesadelo. Apoiava-se levemente em um lado, o ferimento do rosto uma mancha escura, sua roupa ainda manchada da noite anterior. Mas sua postura era de autoridade absoluta. Seus olhos, frios e calculistas, percorreram a cena, pousando primeiro em Olívia e Léo — um olhar rápido, de avaliação e confirmação —, depois em Helena, e finalmente em Alexander, que recuou um passo, seu sorriso arrogante desaparecendo.

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