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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 270

A viagem de volta à mansão foi feita em um silêncio espesso, interrompido apenas pelos soluços abafados de Léo, que adormeceu por exaustão no colo de Olívia no banco de trás do carro blindado. Ian, ao volante, mantinha os olhos fixos na estrada, mas via apenas o instante em que a arma de Alberta apontara para o menino. Cada curva, cada quebra-mola, era um lembrete de que o perigo físico podia ter cessado, mas a batalha dentro deles apenas mudava de arena.

Ao entrarem no portão principal, a grandiosidade neoclássica da propriedade Moretti nunca lhes pareceu tão oca, tão carregada de espectros. Era uma bela prisão, um museu de segredos familiares. A equipe de segurança de Matheus, agora ampliada e em alerta máximo, patrulhava os jardins com uma discrição sombria.

Eles subiram as escadas principais, os passos pesados nos degraus de mármore. Olívia levou Léo diretamente para o quarto de Ian — não o aposento luxuoso do seu quarto infantil naquela mansão, mas para aquele quarto um pouco menor, aconchegante, que fora de Ian na infância e que agora parecia ter sido preparado para o próprio Léo, com pôsteres de astronautas e um ursinho de pelúcia novo sobre a cama.

O menino não acordou quando ela o deitou, nem quando tirou seus sapatos e cobriu-o com o edredom. Seu rosto ainda estava marcado pelo susto, os cílios às vezes tremendo em um sonho ruim. Olívia sentou-se na borda da cama, passando os dedos levemente por seu cabelo, cantarolando uma melodia sem palavras que um dia desejera que sua mãe houvesse cantado para ela. Mas ela nunca tivera nada disso. A ironia do gesto não lhe escapou, mas o amor foi maior.

Ian permaneceu no vão da porta, observando. Sua postura era de um sentinela ferido, o casaco manchado de sangue seco, o braço ferido pendente ao lado do corpo. Ele viu Olíva curvar-se e depositar um beijo na testa de Léo, um gesto de pura, crua proteção. Algo se partiu e se recompôs dentro dele naquele momento.

Eles saíram do quarto, deixando a porta entreaberta. No corredor iluminado por velas de parede, longe dos ouvidos do menino, a realidade desceu sobre eles com seu peso total.

— Preciso cuidar disso — disse Olívia, sua voz rouca de cansaço, indicando o ferimento no braço de Ian.

Ele apenas assentiu, seguindo-a até o grande banheiro conectado ao quarto principal. O mármore branco e os detalhes em ouro pareciam uma piada de mau gosto diante da sujeira, do sangue e da dor que carregavam.

Sentou-se na borda da banheira enquanto ela pegava um kit de primeiros socorros. O silêncio entre eles era tenso, carregado de tudo que não fora dito.

Com mãos surpreendentemente firmes, Olívia cortou a manga da camisa de Ian. O ferimento era um sulco feio e vermelho, uma queimadura de bala que sangrava lentamente. Ela molhou um pano limpo com água morna e começou a limpar, sua expressão focada, quase severa.

Ian não pestanejou com a dor. Sua atenção estava toda nela — na linha de concentração entre suas sobrancelhas, no tremor quase imperceptível de seu lábio inferior.

— Olívia — ele começou, a voz grave ecoando no silêncio do banheiro.

— Shh. Não ainda — ela sussurrou, aplicando um antisséptico que ardeu como fogo. Ele prendeu a respiração.

Ela terminou de enfaixar o braço com ataduras limpas, as pontas dos dedos tocando sua pele com uma leveza que contrastava com a aspereza do momento. Quando terminou, não afastou as mãos. Apoiou-as em seus ombros, como se ele fosse seu ponto de equilíbrio no mundo que havia desmoronado.

Então, ela levantou os olhos. Eles estavam brilhando, não com lágrimas, mas com uma fúria clara e protetora.

— Escuta-me, Ian Moretti — ela disse, cada palavra sendo martelada na quietude. — Você não vai carregar isso. Você não vai pagar por um passado que não é seu. Você não é seu avô. Você não é o monstro que eles queriam que você fosse.

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