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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 284

O mundo de Ian Moretti desabou, se reconstruiu e depois girou fora do eixo, tudo no espaço de dez segundos. A palavra ecoou na sala de jantar silenciosa, martelando contra seus tímpanos como um sino de uma realidade alternativa.

Grávida.

Ele paralisou, o movimento de se ajoelhar congelado no meio do caminho. A mão que segurava a caixa de veludo azul tremeu levemente. Seus olhos, que há instantes transbordavam de um amor certeiro e planejado, agora escaneavam o rosto de Olívia em busca de uma falha, de um desvio que explicasse o inexplicável. O cérebro dele, afiado para resolver os problemas mais complexos do mundo financeiro, travou em um loop absurdo: Gravidez. Vasectomia. Impossível. Olívia. Gravidez.

O coração de Olívia parecia querer fugir pela garganta. O momento romântico, perfeito, que ela também sonhara, estava em pedaços no chão de mármore, quebrado pelas três palavras que ela atirara como um escudo contra uma felicidade que parecia vir cedo demais. Ela viu o turbilhão no olhar dele – confusão, choque, uma pontada de dor – e sua alma se retorceu. Não era assim que deveria ser.

— Por favor — ela sussurrou, a voz trêmula, estendendo a mão. — Vem aqui. Precisamos falar.

Sem uma palavra, Ian se endireitou com esforço, guardou a caixa no bolso como um ato de reflexo, e a seguiu. A subida pela escadaria principal, que antes parecia um caminho para um momento íntimo, agora tinha a solenidade de uma marcha para um veredito. O som dos passos dela, rápidos e nervosos, e o arrastar cauteloso da bengala dele eram a única trilha sonora.

Dentro do quarto, a porta fechada pareceu amplificar a tensão. Olívia estava à beira de um colapso, suas mãos suadas se entrelaçando. Antes que Ian pudesse abrir a boca, antes que a lógica fria dele começasse a dissecar o impossível, ela despejou as palavras como se tivessem que sair de uma vez ou nunca mais sairiam.

— Antes de tudo, antes de você pensar qualquer coisa, você precisa saber que esse filho é seu. — A declaração foi lancinante, carregada de uma urgência desesperada. — Que eu não fiquei com ninguém além de você, Ian. Nem agora, nem nos últimos seis anos. Nem antes. Só você.

Ela viu o segundo choque atingi-lo, mais profundo que o primeiro. Não era dúvida sobre a fidelidade dela, mas a confirmação de uma paternidade que sua mente ainda se recusava a processar. Ele ficou parado, os olhos fixos nela, uma estátua de máscula perplexidade. O silêncio dele, a falta de qualquer reação além do olhar penetrante, foi pior que qualquer acusação. Aumentou o nó de nervosismo na garganta de Olívia até ela sentir que iria sufocar.

— Olha — ela disse, a voz acelerando, e se virou para o criado-mudo. Com movimentos bruscos, abriu a gaveta e retirou uma pequena pasta. De dentro, tirou várias folhas de papel; exames de sangue, ultrassons precoces, e as estendeu para ele. — Olha a data. Olha! São de semanas atrás.

Ele pegou os papéis, seus dedos manuseando as folhas com uma lentidão hipnótica. Seus olhos percorreram os números, as palavras técnicas, a pequena imagem borrada no ultrassom.

— Aconteceu… foi naquela noite. A noite antes do Nicolau morrer — ela continuou, a história saindo aos tropeções. — Depois de tudo o que aconteceu, depois daquela dor… eu esqueci a pílula. Esqueci completamente. E depois… depois a gente brigou, você sumiu, eu estava tão perdida que nem percebi. Os sintomas só apareceram depois, no hospital, quando tudo já estava um caos. Mas olha a data, Ian! Olha! Foi antes da sua cirurgia. Antes!

Ela falava sem parar, um rio de justificativas e explicações, tentando preencher o silêncio ensurdecedor que ele emanava. Até que a voz dele a cortou, não alta, mas com uma autoridade que paralisou o fluxo de palavras.

— Cala boca.

Olívia engasgou, ofegante.

Ian ergueu os olhos dos exames e a encarou, sua expressão ainda séria, mas agora com um brilho de algo além do choque.

— Por que você está tão nervosa?

A pergunta, simples e direta, a deixou ainda mais desequilibrada.

— Por quê? — ela repetiu, a voz subindo de tom. — Você ouviu o que eu falei? A situação toda é… é…

— Eu ouvi — ele interrompeu, sua voz mais suave agora. Ele se apoiou na bengala e deu um passo à frente. — Levei um choque. Principalmente depois de… depois de ter tomado aquela decisão de me ‘fechar’ para isso. Mas, Olívia — ele fez uma pausa, seus olhos percorrendo cada centímetro de seu rosto angustiado, — nem por um segundo passou pela minha cabeça duvidar de você. Nem por um segundo.

O alívio que inundou Olívia foi tão violento que suas pernas fraquejaram. As lágrimas que ela vinha segurando transbordaram, silenciosas e quentes.

Ian deu mais um passo, fechando a distância. Um sorriso lento, maravilhado, começou a surgir em seus lábios.

— Então, o que você está me dizendo… é que mesmo eu tendo feito aquela cirurgia por puro impulso, por raiva desse sobrenome… a vida, ou o destino, ou sei lá o quê, decidiu nos dar um presente antes da porta fechar? — A emoção começou a engrossar sua voz. — Isso quer dizer… que vamos ter outro filho? E que dessa vez… dessa vez eu vou poder acompanhar tudo? Desde o começo? Ver sua barriga crescer, sentir ele se mexer, estar ao seu lado no parto?

Cada pergunta era um fardo de esperança sendo retirado dos ombros de Olívia. Ela não conseguia falar. Apenas balançou a cabeça freneticamente, as lágrimas escorrendo em rios, um grande sorriso trêmulo lutando para nascer em seu rosto.

— Sim — ela finalmente conseguiu soprar, e então se jogou em seus braços, com cuidado para não machucá-lo, mas com uma força de quem se agarra à salvação. — Sim, sim, sim!

Ian a envolveu, enterrou o rosto no cabelo dela e riu, um som rouco de pura felicidade. A bengela caiu no chão, ignorada. Por um longo momento, ficaram ali, em um abraço que selava um futuro que nenhum dos dois ousara sonhar.

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