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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 283

O portão principal da mansão Moretti se abriu não para um retorno triunfal, mas para uma chegada íntima e esperançosa. A imponência neoclássica do lugar, antes uma sentinela de segredos, parecia menos severa sob a luz suave do fim de tarde. O gramado estava impecável, e as janelas refletiam o céu cor-de-rosa, mas a verdadeira mudança estava no ar.

Dentro, no salão principal, uma cena inimaginável meses atrás se desdobrava. Balões coloridos, alguns meio murchos e amarrados com jeito infantil às cadeiras e à escadaria. Uma mesa com salgadinhos, sucos e um bolo simples com os dizeres “BEM-VINDO PARA CASA, PAPAI!” escrito com glacê um pouco tremido. Léo, vestindo uma camisa social pequena e gravata borboleta, pulava de um pé no outro ao lado de Carla, que ajustava o último balão com um sorriso terno.

Olívia, ao lado de Ian que apoiava-se levemente em uma bengala elegante, fingiu a surpresa com perfeição.

— Léo, meu amor, o que é isso? Que lindo!

Ian parou à porta do salão, sua expressão era de um deslumbramento absoluto. Seus olhos percorreram os balões, o bolo, o rosto ansioso e radiante de Léo. Por tantos anos, aquela casa tinha sido um mausoléu de mármore, fria e silenciosa, ressoando apenas com passos solitários e o peso do passado. Agora, ela estava cheia de cor, de luz, de uma alegria desengonçada e sincera. Era um lar.

— Papai! — Léo desengrenou e correu em direção a ele, mas desacelerou no último segundo, lembrando-se dos avisos sobre os ferimentos. Ele parou diante de Ian e o abraçou com cuidado, enterrando o rosto em seu casaco. — Finalmente você tá em casa.

A frase simples atravessou Ian como uma corrente quente. Em casa. Ele baixou a cabeça, enterrou o nariz nos cabelos macios do menino e respirou fundo, contendo a onda de emoção que ameaçava tomá-lo.

— Estou, filho. Estou em casa. E é a melhor recepção que eu já tive.

Matheus, postado discretamente perto da entrada da sala de jantar com seu habitual ar vigilante, se aproximou. Segurava dois copos de uísque. Ofereceu um a Ian com um leve aceno.

Ian estendeu a mão, mas Olívia foi mais rápida.

— Não pode! — Ela interceptou o copo com um movimento suave, mas firme. — Nada de álcool ainda, o médico foi claro. — Seu tom era de cuidadora, não de reprimenda.

Matheus puxou o copo de volta, um quase-sorriso tocando seus lábios. Ele se inclinou levemente para Ian e murmurou, baixo o suficiente para só ele ouvir:

— Já começou. Dominado.

Ian riu, um som baixo e genuíno. Seus olhos piscaram maliciosamente para Matheus antes de se desviarem para Carla, que observava a cena de longe, um brilho de diversão nos olhos. Ian apontou com o queixo quase imperceptivelmente na direção dela.

— Engraçado, logo você falar isso — sussurrou de volta.

Um rubor subiu pelo pescoço de Matheus, mas ele manteve a compostura. Aproveitou o momento de leveza para abordar o chefe.

— Ian, só um assunto rápido. Teria algum problema se eu pegasse uns dias de folga? Em breve. Estava pensando em… resolver algumas coisas.

Ian arqueou uma sobrancelha, o divertimento aumentando em seu rosto. Ele sabia muito bem quais “coisas” Matheus queria resolver, e seu nome era Carla.

— Acabei de voltar, você já quer me ser demitido? — brincou, antes de ficar sério. — Claro que não. Só me passe um resumo de qualquer movimento relevante dos últimos dias e pode ir. Você precisa depois de tudo.

Matheus acenou, aliviado.

— Bem, falando nisso…

Foi interrompido por um grito animado.

— Tio Matheus! Olha!

Léo correra para o meio do salão e empunhava uma arma de brinquedo de plástico preto, mirando com seriedade para um alvo imaginário na parede.

— Quando eu crescer, vou proteger as pessoas que eu amo, que nem você faz!

A declaração inocente caiu como uma bomba de amor e ciúme no coração de Ian. Ele sentiu um aperto no peito – orgulho pelo menino que via um herói em Matheus, e uma pontada aguda, irracional, de ciúme por não ser ele, ainda, aquele símbolo de proteção para Léo.

Olívia, percebendo a sombra passageira no rosto de Ian, se aproximou e deslizou a mão no braço dele.

— Está tudo bem? — sussurrou.

Ele piscou, voltando ao presente.

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