O lugar não era o apartamento funcional e frio de Matheus. Era um suite em um hotel boutique no alto de uma colina, fora da cidade, com vista para um vale coberto de névoa noturna. A decoração era luxuosa, porém discreta: madeiras escuras, iluminação suave, uma lareira a gás crepitando silenciosamente. Um cenário romântico, comprado, não construído. Uma armadilha de seda para um encontro que era tudo, menos convencional.
Matheus a levara em silêncio. A viagem foi feita na sua picape robusta, a tensão entre eles tão espessa que parecia vibrar no ar condicionado. Carla observava as luzes da cidade desaparecerem, seu coração batendo em um ritmo de expectativa e medo. Ele tinha dito que ela esqueceria seu nome. Ela quase acreditava.
Ao entrarem no suite, a primeira coisa que ele fez foi uma varredura de segurança, automática, meticulosa. Conferiu as janelas, as portas, o banheiro. Só então, como se pudesse finalmente desligar o modo profissional, ele se virou para ela. Na luz âmbar do abajur, seu rosto era uma paisagem de sombras e ângulos duros, mas seus olhos… seus olhos queimavam com uma intensidade que a fez perder o fôlego.
Não houve preâmbulo. Não houve palavras.
Ele a alcançou em dois passos, e suas mãos, grandes e capazes de tanta violência, enquadraram seu rosto com uma reverência que a desarmou. O beijo não foi uma pergunta. Foi uma afirmação. Uma tomada de posse mútua, selada com o sal e o fogo de meses de desejo reprimido, mágoa e uma atração inegável que sobrevivera a tudo.
Era avassalador. O gosto dele, o cheiro de sabão neutro e pele quente, a força contida em seu corpo que ele mantinha rigidamente controlada para não esmagá-la. Carla respondeu na mesma moeda, suas mãos subindo para seus ombros, seus dedos se enterrando no tecido áspero de sua camisa antes de arrancá-la, ansiosa por tocar a pele, os músculos, as cicatrizes que contavam histórias que ela não conhecia.
Roupas foram despencando no chão de madeira polida, um rastro de tecido que levava à cama enorme. Matheus a levou para a borda, deitando-a sobre os lençóis frios de algodão egípcio, seu corpo um peso glorioso sobre o dela. A boca dele deixou seus lábios e percorreu uma trilha de fogo por seu pescoço, a clavícula, até fechar-se em torno de um seio. O choque de prazer foi tão agudo que ela arqueou as costas, um gemido escapando de seus lábios.
Ele a conhecia com as mãos e a boca como se estudasse um território vital, cada curva, cada suspiro, cada tremor. Sua mão desceu por seu ventre, encontrando o calor úmido entre suas pernas, e ela gemeu mais alto, suas pernas se abrindo em convite. A necessidade era um animal vivo dentro dela, rugindo por ele.
Mas quando ele se posicionou entre suas coxas, quando a ponta de sua ereção, dura e quente, tocou sua entrada, um clarão cortou a névoa do desejo.
Ela se viu novamente naquele restaurante vazio. Esperando. Sentindo-se pequena e tola. Viu o homem possessivo que a esmagara contra a parede do cofre, e o homem protetor que a defendera de Rafael. Eram o mesmo homem, mas partes dele a assustavam.
— Para.
A palavra saiu como um sopro, mas firme. Matheus congelou instantaneamente, seu corpo em tensão total, seus músculos tremendo com o esforço de parar. Ele ergueu a cabeça, seus olhos verdes ofuscados pela paixão, mas buscando os dela em alerta total.
— Carla? — sua voz estava rouca, carregada de confusão e necessidade contida.
Ela respirou fundo, suas mãos em seu peito, sentindo o coração descompassado batendo forte.
— Eu preciso… preciso saber — ela sussurrou, a voz trêmula. — Quem sou eu para você? Mais uma missão? Algo a ser protegido, guardado, controlado? Ou… — Ela engoliu em seco, forçando as palavras. — Ou sou a mulher com quem você quer arriscar tudo? Com quem você quer dividir, não só o corpo, mas a bagagem, o medo, a merda toda?
Matheus fechou os olhos por um segundo, uma expressão de dor passando por seu rosto. Ele se afastou, rolando para o lado dela, mas mantendo uma mão em seu quadril, como se temesse que ela fugisse. O silêncio se esticou, preenchido apenas pelo fogo crepitante e sua respiração ofegante.
Quando ele abriu os olhos, não havia mais armadilhas. Apena a verdade, nua e crua.
— Minha mãe — ele começou, a voz tão baixa que ela teve que se inclinar para ouvir, — morreu nas mãos do meu pai. Eu tinha doze anos. Ouvi tudo do quarto ao lado. Fiquei paralisado. Com medo. Quando a polícia veio, eu nem conseguia falar. — Ele respirava fundo, como se cada palavra fosse uma faca sendo removida. — Eu jurei nunca mais sentir medo. Entrei para uma milícia de bairro aos quinze. Aprendi a lutar, a atirar, a ser o mais forte, o mais cruel. Pensava que assim estaria protegendo alguém, algum dia.
Ele virou a cabeça, encarando o teto.
— Só me afundei mais. Até o dia em que cruzei o caminho do Ian. Ele poderia ter me entregado à polícia, ou pior. Em vez disso, ele me viu. Não o moleque assustado, não o bandido. Algo mais. Ele me deu uma saída. Um propósito que não fosse baseado em medo ou ódio.
Matheus então se virou de lado, apoiado no cotovelo, seu olhar tão intenso que parecia queimar.

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