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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 287

O perfume de Matheus, uma mistura de sabão de lavanda e algo essencialmente masculino que era só dele, envolvia Carla como um cobertor aconchegante. Ela se espreguiçou na cama macia, os músculos lembrando-a, com uma dor agradável, de cada movimento que fizeram antes. Um sorriso bobo tocou seus lábios. Ela nem lembrava de ter apoiado a cabeça no travesseiro; apagou como uma luz, segura em seus braços.

Sentou-se na cama, os lençóis de cetim escorrendo por seu corpo. Pela janela panorâmica da suíte, o céu ainda era um veludo negro salpicado de estrelas, a névoa no vale refletindo a luz da lua. Ainda era noite, ou quase madrugada.

Foi então que o viu. Parado perto da porta do quarto, iluminado pela luz suave do hall. Matheus estava completamente vestido. Calças pretas, camisa cinza de manga longa, bem passada, o primeiro botão desabotoado. Ele estava impecável. E mais bonito do que ela jamais o vira, uma mistura de força contida e uma serenidade nova que a fez prender a respiração.

Ele se aproximou, seus passos silenciosos no carpete grosso.

— Acordou — disse, sua voz um murmúrio rouco que percorreu sua espinha.

— Para onde você vai? — ela perguntou, sua própria voz ainda sonolenta.

— Nós vamos — ele corrigiu, um quase-sorriso tocando seus lábios. — Estava esperando você acordar. Temos uma reserva.

O coração de Carla deu um salto de pura alegria. Ele tinha planejado. Não apenas a viagem, mas cada detalhe dela também.

— Vou me arrumar rapidinho — ela disse, saindo da cama com uma energia renovada.

Vinte minutos depois, ela descia com ele no elevador silencioso. Vestia um vestido simples de malha preta que ele não tinha visto antes, e seus cabelos estavam soltos. Ela se sentia leve, diferente.

No restaurante do hotel, quase vazio a essa hora, sentaram-se em uma mesa na varanda envidraçada com vista para o vale ainda envolto em névoa. Apenas um garçom discreto serviu café e frutas frescas.

Conversaram. Matheus, com sua concentração total voltada para ela, perguntou:

— Agora você sabe o pior de mim. E eu ainda não sei o suficiente sobre você. Sobre sua vida antes.

Carla sorriu, mexendo o café.

— Depois que meus pais morreram e mudei de cidade, caí de paraquedas no apartamento ao lado do da Olívia. Ela estava enorme, prestes a ter o Léo. Duas mulheres sozinhas, assustadas com o mundo... foi conexão imediata. — Ela olhou para a névoa, rememorando. — Nos primeiros anos, eu ficava com o Léo enquanto ela saía para trabalhar. Meus trabalhos freelance, pesquisa, tradução, permitiam. Por muito tempo, nós duas e aquele menino lindo fomos a família uma da outra. A única família."

— Até o Ian chegar — Matheus completou, seu tom neutro.

— Até o Ian chegar — ela confirmou com um sorriso nostálgico. — E eu odiei ele por isso, no começo. Porque eu sabia que as coisas iam mudar. Que ela não seria mais só minha. Que a nossa pequena fortaleza iria ruir. — Ela fez uma pausa. — Mas olha só no que deu. Vejo a felicidade dela agora e entendo. Ela merecia essa sorte.

Matheus a observou por um longo momento, seus olhos verdes sérios no rosto dela.

— E você? — ele perguntou, sua voz suave, mas firme. — Não se sente assim também? Agora?

A pergunta a atingiu em cheio. Carla encarou aqueles olhos, tão abertos, tão vulneráveis apenas para ela. Todos os seus sentimentos – a atração, a esperança, o medo antigo, a mágoa recente – travaram uma batalha silenciosa em seu peito. O desejo de se jogar, de acreditar, era forte. Mas o instinto de autopreservação, cicatriz de decepções passadas, sussurrava cautela.

— Eu... espero que sim — ela finalmente respondeu, a honestidade doendo. — Eu realmente espero me sentir assim. E espero... que esse sentimento dure. Porque todas as vezes antes, quando eu quis acreditar que algo assim era possível, estava enganada.

Ele não contestou. Apenas acenou com a cabeça, como se aceitasse o desafio. A conversa fluiu para assuntos mais leves, sobre o casamento de Ian e Olívia, sobre os planos deles.

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