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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 294

O apartamento no bairro nobre cheirava a lasanha congelada e limpeza superficial. Rafael Tavares entrou, pendurou o casaco no cabideiro com um suspiro de satisfação. O cheiro do hospital, da antissepsia e do medo, ficara para trás. Em seu lugar, o aroma reconfortante de uma casa, de uma vida bem arrumada.

— Papai! — Dois vultos pequenos correram em sua direção. Pedro, de oito anos, e Sofia, de seis. Ele os abraçou, beijando o topo de suas cabeças, o sorriso no rosto um reflexo genuíno.

—Como foi o dia, meus amores? Lição de casa feita?

— Fizemos com a mamãe antes dela sair — disse Sofia, agarrando-se à sua perna.

Foi então que Marina, sua esposa, surgiu da cozinha, vestindo roupas confortáveis, o cabelo preso num rabo de cavalo desleixado. Ela parecia cansada, mas sorriu ao vê-lo.

— Plantão tranquilo? — ela perguntou, oferecendo a bochecha para um beijo.

— Rotina — ele mentiu com naturalidade, o gosto da vitória do primeiro vazamento ainda doce em sua boca. — Você jantou?

— Comi com as crianças. A sua está no micro-ondas. — Ela bocejou. — Vou deitar um pouco, tive um dia puxado no consultório.

Era o teatro perfeito. O marido dedicado, o pai presente, o profissional cansado. Rafael jantou ouvindo as crianças brincarem no quarto, assistiu a um pouco de televisão, revisou mentalmente o caos que suas insinuações deviam estar causando nos círculos sociais dos Moretti. Uma pontada de prazer egoico percorreu-o. Ele havia atingido. Carla devia estar desesperada. O brutamontes, impotente.

Ele foi para a cama depois de beijar os filhos dormindo. Marina já roncava suavemente ao seu lado. Ele adormeceu com um sorriso nos lábios, sonhando com Carla humilhada voltando a rastejar para ele.

O sono foi brutalmente interrompido por um movimento brusco e um som de choro abafado, seguido por um objeto pesado batendo em seu peito.

— Rafael! Acorda! Acorda, seu mentiroso!

Ele abriu os olhos, desorientado, a visão turva. Marina estava em pé ao lado da cama, o rosto distorcido pela raiva e pela dor, as lágrimas escorrendo livremente. Em suas mãos trêmulas, ela segurava seu celular pessoal, a tela brilhando como um farol de acusação no quarto escuro.

— O que… Marina, o que foi? Que horas são? — Ele tentou sentar, esfregando o rosto.

— Você prometeu! — ela gritou, a voz estrangulada. — Você jurou que foi só aquela vez, com aquela estagiária! Que foi um erro, um momento de fraqueza! Você chorou, fez terapia, eu acreditei em você!

Rafael sentiu um frio no estômago, mas manteve a máscara de confusão.

— Amor, pelo amor de Deus, do que você está falando? Que estagiária? Isso foi anos atrás!

— ENTÃO EXPLICA ISSO! — Ela atirou o celular em cima dele.

A tela mostrava a capa de um site de fofocas. A manchete era: "MÉDICO GALÃ DO SÃO LUCAS MANTINHA APARTAMENTO SECRETO PARA ENCONTROS: LISTA DE AMANTES INCLUI ESPOSA DE MAGNATA". Abaixo, uma foto dele, sorridente, em um jantar de gala, junto com a mulher do senador.

O alívio foi quase físico. Era só sobre as traições. Era feio, era humilhante, mas era gerenciável. Ele poderia chorar, pedir perdão, culpar o estresse, inventar uma depressão. Marina sempre acreditava.

— Marina, eu posso explicar, isso são fotos antigas, são montagens, é vingança de alguém que eu demiti… — ele começou, a voz carregada de uma fadiga estudada.

— PARE DE MENTIR PARA MIM! — Ela o interrompeu, e o olhar dela não era mais só de dor. Era de nojo. — Isso não é só sobre as suas putas, Rafael! Olha! OLHA O RESTO!

Ela pegou o celular de volta, os dedos deslizando freneticamente na tela, e jogou-o de novo para ele, agora aberto em um feed de notícias.

O sangue de Rafael esvaiu-se completamente. A tela não mostrava mais fofocas. Mostrava manchetes de veículos sérios, financeiros, de saúde.

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