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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 296

O dia amanheceu sem nuvens sobre a mansão Moretti. Não a mansão sombria de Nicolau, mas o lugar que Ian e Olívia estavam refazendo como lar. Para o casamento, escolheram não os salões de mármore, mas os jardins inferiores, um terraço à beira do lago artificial, onde salgueiros chorões banhavam suas folhas na água e flores silvestres cresciam em bordas despretensiosas. Era íntimo, vivo, cheio de cor. Exatamente o oposto de tudo que um casamento Moretti já fora.

O espaço, sob um arco rústico coberto de glicínias roxas e brancas, que já começavam a soltar um perfume doce no ar da tarde, foram dispostas apenas vinte cadeiras de madeira clara, decoradas com fitas de linho cru e pequenos ramos de alecrim e lavanda. À direita, o lago espelhava o céu azul. À esquerda, uma pequena trilha levava a um bosque de eucaliptos. A trilha sonora era o som dos pássaros e o suave murmúrio de uma harpa, cujas cordas eram tocadas por uma musicista discretamente posicionada entre as árvores.

Olívia não usou branco neve. Escolheu um vestido de seda champagne, de corte império, que fluía suavemente de um corpete bordado com minúsculas contas de pérola e cristais cor de areia. As mangas eram largas e transparentes, caídas nos ombros, e a cauda era curta, elegante, permitindo que ela se movesse com leveza entre as flores do jardim. Seu cabelo estava solto, ondulado naturalmente, preso apenas de um lado por um grampo de diamantes pequenos e discretos — um presente de Ian na noite anterior. Não usou véu. Sua única joia era o anel de noivado e um par de brincos de pérolas que pertenceram à única figura feminina boa que ela teve, Carla. Ela era um visão de uma beleza serena e radiante, uma rainha de um reino que ela mesma ajudara a construir.

Quantos aos convidados, apenas os corações verdadeiros. Léo, claro, vestido em um minúscuo smoking azul-marinho, estava seríssimo e inchado de orgulho. Carla, madrinha, usava um vestido longo em tom de ameixa, que contrastava lindamente com seu tom de pele e realçava a força em seus olhos. Matheus, padrinho, estava de terno preto impecável, sua postura relaxada, porém vigilante, os olhos não perdendo um único movimento no perímetro, mas suavizando sempre que pousavam em Carla. Vitório, o advogado, estava presente como uma testemunha necessária e silenciosa, um observador cortês. Havia também alguns dos sócios leais que ficaram ao lado de Ian, e duas funcionárias da ONG veterinária onde Olívia trabalhava e que a apoiaram nas últimas semanas difíceis. Era um grupo pequeno, unido por fios de lealdade, amor e sobrevivência.

Quando a harpa começou a suave melodia de Canon in D, todos se levantaram. Ian, à frente do arco, vestindo um terno cinza-azulado que combinava com os olhos, parecia ter esquecido toda a dor, todo o peso do passado. Seu olhar estava fixo na entrada do bosque. E então ela apareceu.

Olívia não veio acompanhada por um pai. Veio de mãos dadas com Léo. O menino, com uma expressão de concentração absoluta, carregava nas mãos, sobre uma almofadinha de veludo, as duas alianças simples de ouro polido. Cada passo deles era lento, solene, e o amor que transbordava do olhar de Olívia para o filho, e de Ian para os dois, fez mais de um convidado enxugar os olhos discretamente.

Chegando à frente, Olívia soltou a mão de Léo e este, com uma reverência travessa que quebrou a solenidade perfeita, entregou as alianças a Matheus antes de ir se sentar ao lado de Carla, ofegante de dever cumprido.

O celebrante, um amigo de Ian da época da faculdade, conduziu uma cerimônia breve e pessoal. Não falou de obedecer ou honrar em termos antiquados. Falou de escolha diária, de parceria diante da tempestade, de construir um porto seguro um no outro.

E então chegou o momento dos votos. Ian foi primeiro. Ele pegou as mãos de Olívia e não leu de um papel. Falou direto de um lugar tão profundo que sua voz embargou.

— Olívia, quando te conheci, meu mundo era feito de paredes de gelo e sombras. Eu não acreditava em luz. Você chegou como um incêndio no inverno. Você me queimou, me derreteu, e no lugar do gelo, fez nascer algo novo. Você não me salvou de mim mesmo. Você me mostrou que eu podia ser mais. Pelos nossos segredos desenterrados, pelas verdades ditas na escuridão, pelo nosso filho, por esse novo começo que carregamos juntos… eu te escolho. Hoje e em todos os dias que a vida nos der. Prometo ser seu porto, seu aliado, o homem que te olha nos olhos e vê o infinito, não o passado. Eu te amo.

Olívia não conseguiu conter as lágrimas que rolaram, mas seu sorriso era tão amplo que iluminou todo o jardim. Quando respondeu, sua voz era clara, forte, carregada de uma certeza conquistada a ferro e fogo.

— Ian, eu cresci acreditando que o amor era uma mentira útil, uma moeda de troca. Você mudou a cotação. Você me mostrou que amor é verdade, mesmo quando dói. É escolher ficar, mesmo quando fugir é mais fácil. É proteger, mesmo estando ferido. Você me deu uma família. Me deu a coragem de ser quem eu realmente sou. Pelas batalhas que travamos juntos, pelas feridas que curamos um no outro, pelo futuro que já estamos construindo… eu te escolho. Prometo ser sua verdade, sua paz, a mulher que caminha ao seu lado não na sombra, mas na luz que criamos juntos. Eu te amo.

A troca de alianças foi um momento de silêncio puro, quebrado apenas pelo chulear dos pássaros. Quando o celebrante declarou "Podem se beijar", não foi um selo formal. Foi a explosão de uma felicidade tão intensa e duramente conquistada que o beijo deles foi longo, doce, e carregado de todo o alívio e promessa de um novo capítulo.

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