A recepção no jardim havia se transformado em um redemoinho de luz, música suave de jazz ao vivo e risadas fáceis. As lanternas de papel balançavam na brisa noturna, lançando padrões dançantes sobre os rostos felizes. Ian e Olívia eram o epicentro da alegria, dançando lentamente no meio do pequeno grupo, suas testas coladas, um casal em sua própria órbita.
Carla, ainda segurando o buquê com certo desconforto, como se ele pudesse espontaneamente açoitá-la, se refugiara perto da mesa de doces. Foi quando a sombra familiar se aproximou, preenchendo o espaço ao seu lado.
— Parece que o destino tem um senso de humor duvidoso — Matheus comentou, seu tom neutro, mas os olhos cintilando de divertimento.
Ela revirou os olhos, colocando o buquê na mesa como se fosse quente.
— Isso não significa nada. E eu já que eu não acredito em casamento. É só um pedaço de papel.
Ele se inclinou, apoiando-se na mesa ao lado dela.
— E o que você acha que eu acredito?
A pergunta a pegou de surpresa. Ela o estudou, sua postura imponente, o olhar que sempre parecia estar avaliando ameaças, a força física que era como uma segunda pele.
— Você não parece ser o tipo de cara que casa — ela disse, a sinceridade escapando.
Matheus ergueu uma sobrancelha, um desafio silencioso.
— E que tipo de cara eu pareço ser?
Carla engoliu, sentindo o jogo mudar. O ar entre eles, que sempre oscilava entre tensão e atração, ficou mais pesado.
— O tipo de cara que… b**e nos outros. Que protege. Que… domina. — As últimas palavras saíram como um sussurro, carregadas da memória de suas mãos nela, de sua força usada tanto para defendê-la quanto para possuí-la.
Um sorriso lento, predatório e irresistível, esticou os lábios de Matheus. Ele se inclinou mais, sua boca a centímetros de seu ouvido. O hálito quente fez um arrepio percorrer sua coluna.
— Falando nisso… — ele sussurrou, a voz um arrasto baixo e promissor, — comprei umas coisas para testarmos mais tarde.
Um choque de puro desejo, misturado com uma curiosidade voraz, eletrizou Carla. Ela se virou, seus olhos encontrando os dele.
— O quê?
Ele não respondeu com palavras. Com um movimento discreto, tirou o celular do bolso, desbloqueou-o com o polegar e mostrou a tela para ela, mantendo-a escondida dos outros convidados.
A imagem era uma captura de tela de uma loja online discreta. Mostrava uma seleção de itens: cordas de seda de alta qualidade, uma máscara, um chicote de couro com ponta macia, algemas acolchoadas… Objetos de dominação e entrega, mas de um tipo que falava de confiança, não de brutalidade.
A boca de Carla ficou completamente seca. Seu coração acelerou, batendo forte contra as costelas. Ela sentiu um calor intenso subir de seu centro.
— Está vendo — ela conseguiu sussurrar, a voz rouca. — É exatamente isso o tipo de cara que você parece ser.
Matheus guardou o telefone, seu sorriso se apagando, substituído por uma seriedade intensa que a prendeu no lugar. Ele a encarou, seus olhos verdes escavando os dela.
— Mas não é só isso que eu sou, Carla. E não é só isso que eu quero de você.
Ele enfiou a mão no bolso do paletó novamente. Desta vez, não para pegar o telefone. Seus dedos se fecharam em torno de algo pequeno.
Tudo dentro de Carla congelou. O sangue que fervia de desejo virou gelo, suas memórias correndo confusa. A cena no restaurante, a caixinha de veludo, uma proposta… um pânico irracional a envolveu. Não agora. Não aqui. Não assim.

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