Entrar Via

Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 95

No mesmo instante, o vinho escorreu lento pela taça, refletindo a luz das velas como se carregasse segredos antigos. A varanda mergulhou num silêncio que não era vazio, era quase sufocante, era denso, cheio de perguntas não ditas, cheio de corações que batiam em ritmos descompassados.

Ian mantinha o olhar fixo nas estrelas, mas Olívia sabia que ele estava em outro lugar. As palavras dele ecoavam na mente dela: “Se eu te contar, você vai me odiar.”

Ela sentiu um arrepio na espinha. O coração disparando como se tivesse escutado um aviso proibido. As mãos tremiam levemente em torno da taça de vinho. Parte dela queria insistir, arrancar dele o segredo, descobrir o que escondia por trás daquela sombra. Mas havia outra parte, mais forte, que temia a resposta. Que temia o peso de uma verdade capaz de afastá-la dele para sempre.

Os olhos de Ian estavam pesados, escuros, como se estivessem pedindo silêncio. Ali ela teve a certeza que talvez não estivesse pronta para ouvir a resposta.

Ela recuou, respirou fundo, os dedos apertando a taça.

— Tudo bem, Ian. — murmurou, desviando os olhos. — Você não precisa falar sobre isso.

Ele virou lentamente o rosto para ela, o maxilar rígido. O alivio que passou por seu rosto foi tão evidente quanto a dor. Ele não queria dividir aquela sombra. Não agora. Não nunca.

Um silêncio constrangedor se instalou por segundos. Olívia, percebendo que estava prestes a se afogar naquele peso, tentou mudar o assunto de rumo.

— Me fala da sua juventude. — pediu, a voz mais leve, ainda que trêmula. — Quem era você… antes de tudo isso?

Ian recostou-se na espreguiçadeira, os ombros tensos, girando a taça devagar.

— Não tem muito o que dizer. — começou. — Eu viajava, estudava, passava de um país para outro sem nunca parar de verdade. Eu não era o filho preparado para assumir nada. O sucessor da família nunca fui eu. Esse sempre foi o Vicente.

Olivia engoliu em seco, lembrando das poucas vezes em que tinha ouvido aquele nome.

Vicente.

— Seu irmão. — Olívia murmurou,

— Sim. — Ian olhou o vinho na taça, como se as lembranças estivessem gravadas ali. — Ele era o filho perfeito. Inteligente, focado, disciplinado. Se meu pai ainda estivesse vivo, Vicente teria assumido naturalmente o lugar dele. Mas a morte… — a voz dele falhou, e Ian respirou fundo antes de continuar. — A morte decidiu que sobraria eu.

Olívia sentiu o peito apertar. Ele falava como se carregar o legado fosse um castigo, não um destino.

— Quando ambos morreram... só restou você. — ela murmurou, a voz carregada com a dor dele.

Ian fez que sim, os olhos distantes.

— Eu nunca quis esse papel. Nunca pedi. Mas assim que meu pai adoeceu… — Ian continuou, com os olhos fixos em algum ponto do céu. — larguei tudo e fiquei com ele. Era só nós dois. — a voz dele falhou por um instante. — Viajei com ele por vários países, tentando qualquer tratamento experimental. Qualquer chance que pudesse dar esperança. Nenhum deu certo. E, a cada fracasso, eu o via se apagar mais um pouco. No fim… só restávamos nós dois.

Ele fez uma pausa longa, o maxilar rígido.

— Quando ele morreu, voltei pra cá. E Nicolau… deixou claro que não havia mais escolha. Que eu era o último herdeiro e tudo que restava dele.

Olívia não conseguiu responder de imediato. Estava engasgada com a dor que ele carregava, escondida sob tantas camadas de frieza. Sentiu os olhos marejarem por ele, pela sua dolorosa história, mas também pela forma como Ian carregava tudo em silêncio. Sozinho.

Finalmente, sussurrou:

— Você se sacrificou por ele. Por eles.

— Não havia outra opção. — Ian disse, sem emoção na voz. Mas os olhos… os olhos traíam a ferida.

Olívia o olhou em silêncio. Percebeu que sabia tão pouco sobre ele. E, naquele instante, quis conhecê-lo de verdade. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ian mudou o rumo da conversa.

— Você disse antes… que nenhum homem te amou. Por que acredita nisso?

Ele a encarou, o olhar fixo, esperando. Olivia soltou uma risada curta, amarga, que não tinha nada de humor.

— É simples; porque é a verdade. O único namorado que tive foi Benjamin. E depois dele... criei um ódio de homens que me impediu de querer qualquer outro. Acredito que tive o suficiente para me fechar completamente.

Ian não desviou o olhar.

— E o pai do Léo? — perguntou, a voz grave, mas sem julgamento.

Olívia estremeceu. O coração acelerou. A garganta secou. Ela mordeu o lábio inferior com força.

— Foi… algo casual. — disse com sinceridade depois de uma pausa longa. — Nunca houve sentimento, amor ou qualquer relacionamento. Nunca houve nada. E desde então, não estive com mais ninguém. Não queria mais me envolver.

Ian a observava com intensidade.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido