POV GAIA.
Theodoro estava à minha frente, seu olhar carregado de uma crueldade que eu já esperava. Eu sabia que, uma hora ou outra, ele viria atrás de mim. Cruzei meus braços, mantendo a calma, mesmo com Minerva rosnando em minha mente, ansiosa para tomar o controle. Malvina, permanecia tranquila, assim como eu. Nós duas sabíamos que poderíamos acabar com aquele lobo vira-lata facilmente.
— Devo dizer que você demorou a aparecer. Pensei que viesse antes — falei, minha voz firme, mas com um toque de ironia. Theodoro deu um passo mais perto, seu rosto contorcido em uma mistura de desprezo e raiva.
— Gaia, Gaia… Sabe como fiquei decepcionado quando soube que você voltou para aquele alfa maldito? Eu te admirava, porque o odiava tanto quanto eu por ele ter te rejeitado. Como pode perdoar aquele desgraçado? — perguntou, a voz tremendo de raiva. Eu levantei uma sobrancelha, sem me abalar.
— Espera, não me lembro de dizer que sua opinião me importava. Não te devo explicações sobre minha vida — respondi, cortante. Theodoro rosnou, os olhos faiscando de fúria.
— Pensei que você fosse diferente — disse, mas parou de repente, farejando o ar. Seus olhos se arregalaram, e ele rosnou ainda mais alto, a raiva explodindo em sua voz. — Você está grávida daquele maldito alfa! — gritou. Eu mantive a postura, o coração firme, apesar da tensão que crescia no ar. Não me abalaria com o ataque de raiva desse renegado.
— Pare de gritar. O que isso te diz respeito? — perguntei, minha voz fria como gelo.
Theodoro rosnou novamente, e, num acesso de fúria, quebrou uma prateleira com um golpe violento, fazendo frascos de ervas caírem e se estilhaçarem no chão. Aquilo me irritou e muito, minhas ervas jogadas ao chão.
— Você vai pagar por isso, sabia? — avisei, cruzando meus braços, minha voz carregada de ameaça. Na minha mente, Minerva rosnou, impaciente:
— Vamos acabar logo com esse vira-lata. Não sei porque fica perdendo tempo conversando com ele. — Disse bufando.
— Que graça, teria? Eu posso matá-lo com um estalar de dedos. — Falei com deboche, mentalmente. Malvina, com seu tom debochado, interveio em minha mente:
— Você não deveria provocá-lo, Gaia. Ele pode te morder — disse, sarcástica e gargalhou.
— Vendo por esse lado, será divertido brincar um pouco com esse verme. — Disse Minerva com nojo. Theodoro me encarou com ódio puro, os dentes à mostra, e sua voz saiu como fúria:
— Essa tal de Belle parece não gostar nada de nós. Espero que não tente nos separar de Gaia. — Resmungou.
— Concordo, ela não gosta mesmo de nós, está evidente em sua voz — respondi mentalmente, um leve sorriso curvando meus lábios. — Mas ela é leal a Gaia. Isso é o que importa. Vamos conquistá-la também, com o tempo. — Afirmei.
Escutamos tudo: o tom debochado de Belle chamando-me de “cachorro vira-lata”, a risada de Gaia, depois ela contou que eu havia aparecido logo depois que Belle saiu e que eu estava ficando numa casa que comprei no condomínio. Falou que eu havia cozinhado para ela e que disse que não voltaria para alcateia sem ela. Cada palavra de Gaia sobre mim, fazia meu coração acelerar. Ela ainda resistia, mas eu sentia a força do nosso elo, mesmo através daquelas paredes.
Quando elas voltaram, Gaia me dispensou com aquele tom firme que eu adorava, mas que não me enganava. Aproximei-me, ignorando a tentativa dela de me dispensar, e a abracei, puxando-a para um beijo que fez o ar crepitar entre nós. O choque no rosto de Belle foi impagável, seus olhos arregalados enquanto eu saía da loja, lançando um último olhar para Gaia, que tentava esconder o rubor nas bochechas.
— Até mais tarde, amor — disse mentalmente para mim mesmo, com um sorriso, antes de entrar no automóvel.
Dirigi até minha empresa no centro da cidade, o coração leve pelo café da manhã com Gaia. No escritório, mergulhei no trabalho, revisando relatórios e planejando os próximos passos para a alcateia. Por volta do meio-dia, meu celular tocou. Era Octávio, meu beta, com atualizações da alcateia.

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