POV CASPIAN.
— Octávio, como estão as coisas na alcateia? — Perguntei assim que atendi.
— Caspian, está tudo sob controle por aqui — disse Octávio, sua voz firme, mas com um tom de curiosidade. — Os guerreiros estão treinando, o destacamento que está a procura de Theodoro, ainda não teve sucesso. E a construção das novas casas está adiantada. E você como está e como estão as coisas com a Luna? — Perguntou. Eu sorri, incapaz de conter a animação.
— Estou fazendo progressos, Octávio. Gaia está cedendo, lentamente. Hoje de manhã, ela me deixou levá-la ao trabalho, e ontem cozinhei para ela. O elo está mais forte. Ela vai voltar para nós, eu sei disso. — Contei contente.
— Isso é ótimo, alfa! — exclamou Octávio, rindo. — A alcateia está ansiosa para receber a Luna de volta. E o filhote? Alguma novidade? — Perguntou animado pela notícia. Meu amigo sabia como eu estava sofrendo longe da minha companheira.
— São dois, Octávio. Dois filhotes — respondi, o orgulho transborda na minha voz.
— Dois? Isso é incrível! A alcateia vai comemorar quando souber! — disse ele, empolgado. — Parabéns, meu amigo. E mantenha-me informado, Caspian. E não deixe a Luna escapar de novo. — Disse.
— Não pretendo deixá-la sair de perto de mim de novo — garanti, antes de me despedi e desligarmos.
Voltei ao trabalho, mas a imagem de Gaia e imaginar nossos filhotes no seu ventre, não saíam da minha cabeça. Na hora do almoço, o telefone tocou novamente. Dessa vez, era minha mãe, e eu podia ouvir a voz animada do meu pai ao fundo.
— Caspian, meu filho! Como está minha nora? E meu neto? — perguntou minha mãe, a empolgação quase saltando pelo telefone.
— Mãe, pai, tenho novidades — comecei, sorrindo. — Não é um neto… são dois filhotes! — Contei.
— Dois? — exclamou minha mãe, e ouvi meu pai soltar um grito de alegria ao fundo. — Filho, isso é maravilhoso! Dois filhotes para a alcateia! Já vou começar a pensar nos nomes, não é, querido? — disse ela, perguntando para meu pai.
— Claro querida! Vamos escolher dois nomes, um para um alfa forte e outro para uma fêmea corajosa, como a mãe deles! — respondeu meu pai, a voz cheia de orgulho. — Caspian, você não sabe como estamos felizes. Já começaremos a planejar a chegada deles. Vamos reforçar a segurança da alcateia, preparar um quarto para os filhotes… quero comprar muitos brinquedos para eles. Vou mimar meus netos. — Disse meu pai cheio de empolgação.
— E as roupas! — interrompeu minha mãe. — Vou tricotar mantas para os dois. Que bênção, Caspian! — Falou cheia de felicidade.
— Não esqueçam que podem ser dois machos, ou duas fêmeas. Acho melhor escolhermos dois nomes masculino e dois femininos, por precaução. — Sugeri me animando também com a escolha dos nomes.
— Isso mesmo, você está certo. — Concordou meu pai rindo.
— Não vejo a hora de tê-los nos braços — confessei, meu peito vibrando com a ideia. — Gaia continua indecisa, mas estou reconquistando-a, mãe. Ela vai voltar para casa. Ou não saiu daqui. — Comentei.
— Vamos nos transformar e correr. É mais rápido. — Ordenou tenso.
Concordei sem hesitar, sem me preocupar em ser visto como lobo na cidade. Este lugar era cheio de áreas verdes e animais selvagens; um lobo correndo não seria algo tão incomum. Despi-me rapidamente, e Levi fez o mesmo. Transformamo-nos, nossos corpos mudando para a forma lupina em segundos, e disparamos pela floresta em direção à loja de ervas de Gaia, que ficava um pouco afastada.
Estávamos nos aproximando da loja. Enquanto corríamos, reconheci o cheiro de Theodoro no ar. Um rosnado grave escapou do meu peito, a raiva queimando como fogo. Mentalmente, ordenei a Levi:
— Quando chegarmos, vasculhe ao redor da loja. Veja se ele está sozinho ou se trouxe reforços e cuide deles. E depois vá para os fundos e impeça qualquer rota de fuga. — Ordenei.
— Entendido, alfa — respondeu Levi, sua voz mental firme, antes de se desviar para contornar a loja.
Cheguei à entrada da loja, o cheiro de Theodoro mais forte agora, misturado ao de Gaia. Meu coração disparou, mas não de medo — de fúria. Entrei e vi Gaia, poderosa e imponente, suspendendo Theodoro pelo pescoço com seu poder, os olhos dela brilhando com uma raiva que rivalizava com a minha. Ela já sabia que eu estava ali. Soltou Theodoro, deixando-o cair no chão, e disse, apontando para mim com a cabeça:
— Você tem razão. Com meu poder, eu posso te matar facilmente. Mas não serei eu quem vai te matar… ele vai. — Disse apontando para mim.
Theodoro virou-se na minha direção, os olhos arregalados de surpresa, mas não teve tempo de reagir. Saltei sobre ele, minhas presas cravando-se em seu pescoço com firmeza. Não lhe dei chance de lutar. Com um movimento rápido e brutal, arranquei sua cabeça com meus dentes, o sangue respingando no chão da loja. O corpo de Theodoro caiu, inerte, e o silêncio que se seguiu era pesado, carregado com o fim daquela praga em nossas vidas.

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